Geral Bate-papo com Raul Aguiar

Published on setembro 15th, 2015 | by Luciano Billotta

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Bate-papo com Raul Aguiar, um vencedor no Plastimodelismo e Vida

Olá amigo plastimodelista, tudo bem?

O post de hoje é muito especial, é uma entrevista com o plastimodelista Raul Aguiar. Os mais experientes no hobby provavelmente já ouviram falar dele nos vários concursos em que participou (e certamente foi premiado). Para os iniciantes no hobby, ele é um plastimodelista extremamente talentoso, premiado em diversas exposições e concursos, e que venceu muitos obstáculos na vida.

Raul nasceu com deficiência física, mas nem mesmo as limitações físicas o impediram de alcançar seus sonhos e desejos, tanto na vida como no plastimodelismo. Segue agora a entrevista desse cara que é exemplo de superação:

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Quem é Raul Aguiar? Pode nos contar uma breve história da sua vida?

Meu nome é Raul Pedro Salomão de Aguiar, tenho 53 anos, sou vítima da Talidomida, remédio indicado na época pra enjoos em gestantes, que causou deformidades variadas nos nascidos naquele período. Sou formado em inglês pelo CCAA. Já dei aulas particulares de inglês e fiz traduções. E até dei aulas de plastimodelismo. Agora aposentado.

Apesar de tudo, minha vida sempre foi normal, criado normalmente por meus pais, tirando um preconceito ou outro por parte das pessoas, faço quase tudo que uma pessoa normal faz. Sempre pratiquei atividades físicas, como futebol, vôlei, handball, capoeira, taekwondo e agora musculação.

Bate-papo com Raul Aguiar

Como se iniciou a sua relação com o Plastimodelismo? Qual a relevância do hobby na sua vida?

Quando pequeno, todos achavam que eu não poderia estudar em escolas normais, assim minhas primas e uma vizinha me deram as primeiras noções de leitura e escrita. Até ser matriculado numa escola especializada em pessoas com problemas físicos que se chamava Arapiara.

Fiquei pouco tempo nela, pois um dos médicos que ficara amigo dos meus pais vendo que eu me destacava dos demais, disse a eles pra me matricular sem demora em um grupo escolar normal e aconselhou me dar brinquedos que ajudassem na destreza manual. Foi assim que ganhei um brinquedo da Estrela que se chamava Montebrás, consistia em peças de madeira com furos, porcas, parafusos, chave e plástico, com os quais podia construir coisas diversas.

E logo depois, ao visitar o quarto de um primo, vi o primeiro modelo de kit pra montar, que, se não me falha a memória, era um BF109 1/72 da Revell Kikoler. Fiquei louco pra brincar, mas meu primo explicando que era de montar e era frágil, logo chamei meu pai e pedi de presente, ele achou uma ideia boa se lembrando da recomendação do médico e me prometeu me dar um no meu próximo aniversário.

Foi assim meu começo no plastimodelismo, quando então ganhei de uma só vez, todos da Revell nacional, o P40 Tigre Voador 1/32, o caminhão militar M35 1/40 e o canhão 105mm 1/40. Na época meu irmão montava pra mim e eu brincava e claro quebrava tudo, mas tive as primeiras noções de montagem. Desde então abracei este hobby profundamente.

Você tem preferências por alguma área específica do Plastimodelismo?

Antes, como só tinha a Revell aqui, montava de tudo, mas sempre os prediletos eram os de militaria. Quando então, bem mais velho, tive acesso a técnicas mais avançadas e materiais importados, priorizei a militaria 1/35 e 1/32, especialmente americanos e ingleses. Com a preferência máxima pelos dioramas. Mas monto também ficção, monstros e gosto também de aviação 1/32. Hoje além disso, coleciono kits da Revell Brasil e brinquedos antigos. Estes hobbies são muito importantes na minha vida.

Quais os maiores obstáculos enfrentou para praticar o hobby?

Muitos desafios tive que vencer e superar pra segurar as peças, tirar rebarbas, tirar emendas, lixar, mas de um modo ou de outro, com jeitinho foi superado.

Como você vê a situação do plastimodelismo no Brasil?

Hoje vejo com muita tristeza a situação do país prejudicando o plastimodelismo. Com dólar alto, taxações absurdas na receita, impostos exagerados, onda de politicamente correto afastando os jovens de itens bélicos, descaso governamental à cultura contribuindo também negativamente com este hobby. Enquanto lá fora tudo está indo muito bem, de vento em popa!!

Bate-papo com Raul Aguiar

Na sua visão, o que poderia ser feito para que novas gerações pudessem se interessar mais pelo plastimodelismo?

Uma desburocratização de importados, uma pequena boa vontade do governo nos impostos, mais cultura, menos frescura e terrorismo sobre coisas que retratam a guerra, talvez traga mais jovens pro hobby, pois as lojas voltariam a ter condições de oferta e compra para assim os grupos de plastimodelismo terem mais condições de atrair novos adeptos. Mas, infelizmente o país vai pela via contrária!!!

Que recado você pode deixar aos leitores aqui do Blog?

Que os plastimodelistas deste país sejam “teimosos”, persistentes, remem contra a maré e não deixem este hobby morrer. Diminua um pouco o vício do celular, whatsapp, etc e montem mais, sem tanta frescura, tanto excesso de preciosismo, tanto projeto. Abram uma caixa daquele kit que adora e montem!

Standard mesmo, com um ou outro melhoramento, mas tenham o prazer de montar, de pesquisar sobre o modelo, sem neura! Apoiem seu clubes de plastimodelismo nos eventos, sem reclamação, sem cobrança, participem. Que surjam mais grupos por esse Brasil afora, porque são importantes para a formação, aproximação, fortalecimento de amizades, aprimoramento, etc.

Muito obrigado, grande abraço.

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Nas breves conversas que tive com o Raul antes dessa “entrevista”, foi possível perceber como é uma pessoa de bem, sempre com pensamentos positivos e disposto a superar os desafios. Muito obrigado Raul, por despender um pouco do seu tempo conosco.

Fica também o agradecimento a um amigo plastimodelista, Christiano Couto que nos ajudou a entrar em contato com o Raul para que essa conversa ocorresse. 🙂

Espero que esse bate-papo sirva como inspiração para você amigo leitor.

Abraços e até a próxima.


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About the Author

Engenheiro e Mestre em Eng. Elétrica, Empreendedor, Gestor e Coach fascinado pelo mundo do Empreendedorismo e Gestão Empresarial. Trabalha há mais de um ano com Empreendedorismo Digital e é um dos fundadores da Usina dos Kits.



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