Geral erros

Published on setembro 12th, 2017 | by ES1

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Cinco razões por que os plastimodelos têm erros

Esse post originalmente foi ao ar através do blog Model Soup e está sendo reproduzido, na íntegra, com a devida autorização de seus autores. Para acessar o texto original sobre os erros na fabricação de modelos, clique aqui(em inglês). 

O novo lançamento da Trumpihawk Boss acabou de chegar na sua casa e você certamente está empolgadíssimo para montá-lo. Mas espere um momento! O contador de rebites do seu fórum favorito está esculhambando o seu kit por conta de suas imprecisões: a forma do nariz está errada, as entradas de ar estão muito altas , a forma do canopy parece mais com a do protótipo que a da versão de produção e algumas linhas de painel estão erradas. “É uma caricatura da aeronave real”, diz um observador com uma detestável afinidade com hipérboles.

Quer você ame os contadores de rebite ou não, acaba olhando para o modelo e pensa como raios os designers cometeram erros tão óbvios.

Bem, eu posso lhe contar. De fato, há 5 razões para isso.

Planos imprecisos

Os projetistas podem ter usado plantas imprecisas. Nem sempre os fabricantes têm acesso aos planos originais ou esquemas de produção dos modelos reais. Assim é necessário usar o que estiver mais à mão. A maioria dos modelos têm dois, três ou até mais plantas dando sopa em livros, revistas e na internet. Assim, os designers das fabricantes de kit devem escolher um, acreditando(e rezando) que estejam corretos. Claramente, quando não é o caso, os erros nos planos são refletidos nos modelos.

Protótipos Incorretos

Os designers podem ter estudado um modelo real que tenha erros. Isso aconteceu com o primeiro Me-109G 1/48 da celebrada Eduard. Se você acompanhou o bafafá posterior, lembrar-se-á de que o avião tinha um calombo na raiz da asa. O pessoal da prototipação diligentemente pôs na miniatura, baseado num aparelho de museu. Acontece que essa modificação veio após a guerra. Como os designers saberiam disso? O caso foi que o erro só foi descoberto após a chegada dos primeiros exemplares nas mãos dos clientes que tinham mais expertise no 109,  apontando o erro na hora. Mas que fique claro que a Eduard corrigiu os moldes posteriormente!

Falta de Conhecimento

Das conversações que eu tenho tido com pessoas familiares com a fabricação de kits, os funcionários da parte de design geralmente são profissionais generalistas. Eles não são necessariamente entusiastas de aviação ou de militarias como a gente. Eles podem estar projetando um refrigerador na segunda-feira e o canopy de um Su-35S na terça. Eles não têm familiaridade com as sutilezas dos nossos modelos favoritos. Não surpreende que eles não “vêem” as nuances delicadas na cauda de um F-4 Phantom. E nem notam a variação de ângulo que a chapa frontal de blindagem apresenta entre os modelos inicial e final de produção.

Quando um expert é envolvido num projeto(e a gente têm visto muito os modelistas fazendo análises de novos protótipos de kits), pode haver problemas de comunicação também. Com muitos kits saindo das pranchetas na Europa e Ásia, não há garantias de que os designers sejam sempre fluentes em inglês. Assim, quando um erro é visto e apontado, nem sempre ele consegue ser repassado adequadamente para que seja feita a mudança. Por exemplo: eu tenho um conhecimento básico de espanhol, conhecendo frases e palavras mais comuns(além de poder procurar pelas que eu não conheço ainda), mas é difícil criar uma explicação clara e coerente em espanhol sobre o porquê de o nariz do Su-34 1/72 da Trumpeter estar errado. E pode ser muito difícil de um designer espanhol entender precisamente as instruções que eu possa passar-lhe.

E eu devo destacar que, mesmo que um terceiro seja consultado, não significa que o fabricante irá seguir suas orientações. Nem que o especialista receberá do fabricante nada além de imagens de CAD.

Sem garantia de qualidade

Não tenho nenhuma evidência dessa teoria, então eu gostaria de que alguém que tenha, possa me falar. Acredito que não exista nenhuma checagem de garantia de qualidade de um novo design de modelo antes que ele chegue à linha de produção. O produtor contrata projetistas(sejam em  integral ou por contrato) e lhes dá a incumbência de projetar um modelo. Mas quem avalia os seus designs?

Pode ser que haja um responsável pela qualidade(um gerente de projetos, talvez). Quem diz que ele tem conhecimentos de cada modelo para que possa avaliar corretamente cada design? Ele pode muito bem olhar para o projeto na tela do CAD e dizer: “bem, parece bastante com as fotos do Fruitbat Mk.IIc que eu vi”. Mas ele iria notar que as calotas do trem de pouso deveriam ter 5 parafusos em vez de 6 ou que as saídas do escape estão erradas? Provavelmente não. Então o fabricante lança os kits com base no esforço empreendido pelos seus designers.

O Efeito Dunning-Kruger

Finalmente, isso nos leva à razão mais comum pela qual os nossos kits favoritos contém erros, que é o Efeito Dunning-Kruger. Esse conceito dita que nos consideramos (erroneamente) mais inteligentes ou mais habilidosos do que realmente somos. O camarada que projetou inapropriadamente o kit que você comprou, achava que o modelo estava certo. Ele fez o melhor que pôde de acordo com sua experiência, conhecimento e com os recursos disponíveis. Mas parece que ele não era suficientemente bom para fazer o trabalho direito.

O Efeito Dunning-Kruger explica porque você se sente chateado quando seu modelo não ganha um evento… Mesmo quando as asas estejam desalinhadas ou você tiver esquecido de preencher os vãos do estabilizador corretamente. Ou quando o chef de um restaurante acaba indo parar no Pesadelo na Cozinha quando achava estar mandando bem. Mesmo com o restaurante às moscas e à beira da falência. Se empresas como Tamiya produzem os melhores kits do mercado, é porque eles têm o melhor plantel de funcionários dedicados ao seu serviço.

Para saber mais sobre o efeito Dunning-Kruger, leia o artigo na Wikipedia.

Resumindo…

Estar a par destes fatores dar-lhe-á um entendimento muito mais claro do quão difícil pode ser produzir um kit 100% preciso.

  1. Idealmente, os designers trabalhariam a partir das plantas oficiais dos fabricantes dos modelos a serem representados
  2. Eles têm de ter acesso a um modelo original do item a ser reproduzido em escala
  3. Eles devem se comunicar com um expert no modelo produzido e precisam ter comunicação livre e desimpedida entre as partes
  4. Alguém na fábrica, ligado ao controle de qualidade tem possuir conhecimento técnico vasto sobre o modelo a ser reproduzido em escala para fazer uma conferência final
  5. Os projetistas têm de ser os melhores disponíveis no mercado e, paralelamente, entusiastas de carros, militaria, aviação e de navios.

Sob qualquer aspecto, é uma tarefa hercúlea reunir essas 5 características.

Todos os pontos de vistas e opiniões são de responsabilidade dos autores e não representam, necessariamente, o da Usina dos Kits.


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About the Author

Engenheiro de computação formado na UFES e com diversos cursos na área de redes e tráfego de dados, absolutamente louco por carros, aviões, trens, tanques, caminhões, história e estratégia. É o braço técnico da UdK.



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