MUSAL – O ninho das águias brasileiras

Se existe um lugar que merece ser visitado por todo o plastimodelista brasileiro focado em aviação pelo menos uma vez na vida, esse lugar se chama MUSAL. Esse é o acrônimo de Museu Aeroespacial, que é mantido pela Força Aérea Brasileira e é situado na Base Aérea do Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro. Fizemos uma visita a ele nesse último dia 27 e, claro, temos uma mega galeria de fotos feita pela Usina dos Kits e pelo o pessoal do GPES(Grupo de Plastimodelismo do Espírito Santo).

Planejando a ida ao MUSAL

Chegar ao Rio é fácil, seja por via aérea ou terrestre, já que a Cidade Maravilhosa é atendida por diversas companhias e tem uma considerável rede de rodovias que a ligam com todos os seus vizinhos. Se for de carro, apenas atente ao valor dos pedágios(clique aqui para saber mais). Pelo ar, todas as principais empresas aéreas(Gol, Azul, TAM/LATAM) servem a cidade tanto pelo aeroporto do Galeão, quanto pelo Santos Dumont.

O museu não é, sob hipótese alguma, localizado numa área de rápido acesso: é preciso rodar e consideravelmente: ele fica situado em Marechal Hermes que fica a muitos quilômetros do Centro do Rio(que por sua vez também é razoavelmente longe dos aeroportos e da Rodoviária). Assim sendo, quem quiser visitar o museu tem que se planejar para pegar um Uber ou alugar um veículo(de preferência com GPS). As tarifas de taxi estão meio fora da realidade, então vamos pular essa “opção”. Nós escolhemos a opção de carro alugado e, indo ao guichê das empresas, um carro os busca no estacionamento do terminal. Atenção quando for pegar o carro, especialmente se ele estiver recém-lavado, pois ajuda a camuflar as imperfeições na lataria do veículo antes e depois da devolução, podendo causar algumas dores de cabeça.

Saindo do Galeão, pegamos o carro(uma Spin) e seguimos o mais direto possível pro nosso destino: Av. Vinte de Janeiro, Estrada do Galeão, Estrada Pres. João Goulart e Av.Radial Oeste. Siga a linha do Trem/Metrô até Marechal Hermes(que é um estirão danado, então não tenha pressa). Quando você chegar na FAETEC Marechal Hermes, faça o retorno e pegue a primeira direita, (R. Xavier Curado). Siga até o cruzamento com a Av.Mal.Fontenelle e entre à direita nessa via e siga até ver a placa de entrada do museu que é beeeeeeeeeeeem pra frente. Na dúvida, carregue essas coordenadas no seu GPS: -22.885123, -43.390453

O Musal tem entrada gratuita, mas é preciso se cadastrar na portaria da Base Aérea. Em caso de grupos, só o motorista precisa fazê-lo e é possível agendar.

A história do MUSAL

O museu foi idealizado em 1943 pelo então Ministro da Aeronáutica, Salgado Filho. Apenas em 1973 que o então presidente Médici montou efetivamente o núcleo do Museu Aerospacial. Já no ano seguinte, os alojamentos pertencentes à Divisão de Instrução de Vôo da EEAR foram repassados para aquele que seria futuramente um dos principais museus aeronáuticos da América do Sul. Logo em seguida, começou-se a correr atrás de aeronaves relevantes da história brasileira, bem como de armamentos  e equipamentos diversos. Após a catalogação e arrumação do acervo, foi feita a inauguração em 1976. Desde então o acervo sempre crescente é exibido ao público e há atividades paralelas levadas à cabo, como o aeromodelismo e palestras.

MUSAL

Canhão Hispano de 20mm do Spitfire

Curiosidade para quem tiver, o Campo dos Afonsos foi onde nasceu a aviação militar brasileira, em 1918 com a chegada de uma missão militar francesa. Cabe salientar que o aeródromo existia desde 1912, quando foi criado o Aero Clube Brasileiro(AeCB), presidido por ninguém menos que Santos Dumont e integrado por Ricardo Kirk(respectivamente o primeiro e segundo brasileiros a ter permissões de vôo). Kirk foi também o primeiro militar a voar, sendo lotado no Exército Brasileiro.

Em 1914, os italianos resolveram investir no Campo dos Afonsos e criaram a EBA(Escola Brasileira de Aeronáutica) que funcionou por pouco tempo, já que a IGM estourou meses depois, encerrando a participação dos estrangeiros.

Nesse meio-tempo, foi feita a primeira ponte aérea Rio-São Paulo que durou ínfimas 4h40min, o que deixou o Presidente Hermes da Fonseca Boquiaberto com tamanha velocidade.

Com a chegada dos franceses, a militarização do aeródromo tomou corpo e foi formado o 1º Corpo de Base Aérea em 1939 e dois anos depois, com a formação da FAB, nasceu a Base Aérea dos Afonsos, nome que conserva até hoje.

A infra-estrutura e atrações

O MUSAL conta com dezenas de aeronaves de todos os tipos e épocas, desde o 14-Bis em tamanho real(cara, é grande demais ao vivo!) até o C-119 dentro das dependências dos 6 hangares que guardam aquelas relíquias. 

Logo na entrada, você é direcionado(após o livro de presença) para a sala da Esquadrilha da Fumaça, com um North American T-6 Texan com o primeiro padrão de pintura do Esquadrão de Demonstração Aérea e as marcações do Major Arthur Antônio Braga, miniaturas das diversas aeronaves voadas pelo EDA, vídeos demonstrativos, um capacete atual do grupo e inúmeros textos informativos.

A sala seguinte é a de Aeronaves Antigas. De Nieuport 21 até um Boeing Stearman, passando por Muniz M-7, Beech Staggerwing e Demoiselle. Ainda é possível ver os cocares das principais organizações militares da FAB(tanto as ativas, quanto as históricas), além de ter acesso a “souvenires” como a hélice de madeira do Savoia-Marchetti Jahu.

No meio desse ambiente, há uma porta que leva a 2 saletas: a da esquerda fala da Força da Mulher na FAB(desde as primeiras enfermeiras, até as médicas, intendentes e pilotos de hoje); a da direita é dividida em duas partes: a primeira é voltada à história do reconhecimento aéreo e da fotogrametria enquanto a última parte é dedicada às armas. Nesse setor, temos relíquias como as MG34 alemãs e as Breda Safat italianas. É possível ver canhões como o Hispano do Spitfire e o Pontiac do F-5 Tiger. Mísseis ar-ar como os Sidewinder e o 530 também podem ser observados em detalhe.

Voltando à entrada do museu, sobe-se a escada e entramos no primeiro andar. Quem quiser levar uma pessoa idosa ou com restrições de locomoção, pode se valer de um elevador para facilitar o deslocamento entre os diferentes níveis  da instalação. Nesse pavimento, o visitante é recepcionado por duas salas temáticas: a do Bartlomeu de Gusmão e a do Ministro Salgado Filho(que também abriga as fotos de todos os comandantes da FAB desde seus primórdios).

Prosseguindo, temos um corredor ladeado por lindíssimas telas pintadas com diversos momentos da FAB: desde seus primórdios nos Afonsos com o Nieuport 21 até os Mirages sobrevoando o Plano Piloto de Brasília. Dá pra perder bons minutos em cada uma delas. Só não podemos fazer isso, pois ainda temos 5 ambientes antes de voltar a ver as aeronaves!

A primeira sala disponível para a entrada é a de homenagem aos profissionais de Busca e Resgate(SAR – Para que os outros possam viver). Ali, com uma iluminação bem branda, é possível visualizar equipamentos de sinalização, textos informativos de operações, a famosa “caixa preta” e a réplica de dois modelos de aviões usados no SAR antigamente: o SC-47(“Skytrain”) e o SC-10(“Catalina”).

A segunda sala é a temática “A FAB na Guerra” e é uma das mais cativantes para os entusiastas militares por falar do nosso adorado e reverenciado “Senta a Pua!” e suas ações na Itália. Somos recepcionados por uma escultura do famoso avestruz do esquadrão. Lá dentro, é possível ver uma chapa original dos P-47D com o escudo do 1ºGAvCa, diversos troféus (medalhas, capacetes, facas) notas de liras e de Reichsmarks, mapas, documentos… Impressiona ver um elevador de P-47 com uma marca de Flak, fazendo-nos pensar na miríades de riscos que aqueles rapazes, muitos mais novos que eu, resolveram abraçar para livrar o mundo do nazi-fascismo. Ao fim da mostra, temos um diorama 1/1 com os integrantes do esquadrão em volta de um Thunderbolt. Ao lado, um uniforme de voo de época completo.

Novidade para mim, havia duas salas extras desde a última vez que estive lá no Musal(isso foi em 2002, quando estava prestando vestibular e CFO pra AFA): ao fim do corredor, temos uma sala dos Primórdios da Aviação, falando dos vôos com balões, dirigíveis, Santos Dumont(óbvio) e os irmãos Wright(com uma réplica do Flyer e de sua catapulta, num diorama). Destaque para o cenário em tamanho real, reproduzindo o escritório de Santos Dumont.

MUSAL

Único do mundo: Focke-Wulf FW-58B “Weihe” da Aviação Naval

Prosseguindo, o foco é para a aviação comercial agora: os reides intercontinentais, as primeiras companhias aéreas a operar no nosso território, os dirigíveis(com direito a uma imensa hélice pertencente ao Graf Zeppelin em exposição) e um espaço dedicado à Pan Air do Brasil, com uma réplica do Constellation, do conjunto de louças nas quais eram servidas as refeições e um macacão da tripulação de terra.

A última sala antes de voltarmos aos aviões é dedicada(e certamente patrocinada) à EMBRAER. Descemos uma rampa com um longo expositor no qual é exibido o range de produtos da fabricante brasileira: desde o C-95 Bandeirante até o Lineage 1000 executivo. Há também intrincadas peças de avião mostradas em detalhes e uma cabine com telão que mostra a trajetória da EMBRAER. Descendo por uma escada de dois lances, finalmente voltamos às aeronaves. Só um adendo: é perfeitamente possível “queimar” a manhã toda só nas salas temáticas, sem ver um único avião. Pode confiar em mim.

O hangar Nº2 é especializado em biplanos, aviões de patrulha e Transporte pequenos. Nele, damos de cara com o CBA-123. Esse interessante protótipo de avião civil foi simplesmente o primeiro aparelho projetado inteiramente em CAD(programa de desenho em computador) no mundo! Pena que não foi à frente… Seguindo, temos um EMB-111 Bandeirante, um Hawker-Siddeley HS-125, Piper L-4 e mais alguns(vou apenas me ater a alguns, para agilizar o texto. O restante, vocês verão nas fotos).

O hangar Nº3 deve ser o mais concorrido, pois o tema é aviação de caça! Destaque, claro, pro P-40N e P-47D. Entre os modernos, temos o Mirage 2000C, um SEPECAT Jaguar da RAF e um EMBRAER AMX. Impressionante a dimensão desses aviões ao vivo!! Mesmo o AMX é bem grande ao vivo.

O próximo ambiente(não se perca na contagem, é o 4º hangar) traz uma réplica de sala de instrução de pilotos. Além dela, estão os peso-pesados: bombareiros e aviões de patrulha/ataque. Clássicos como o Mitchell, Tracker, Neptune(gigantesco), Havoc e Invader podem ser admirados lá! Ainda há uma saleta na qual é possível ver antigos simuladores de vôos por instrumentos e um simulador moderno da cabine de um 737 da Varig.

O penúltimo hangar vem com a aviação de asas rotativas e os aviões anfíbios. Obviamente que veremos aparelhos como o Catalina, Albatross, Sea King, Huey, Jet Ranger e Wasp nele como parte de suas vastas atrações.

O último hangar é dedicado aos grandes transportadores: dentre eles é possível destacar o imponente C-47, o Electra II, o Widgeon e o (imenso) Boxcar. Cada um mais majestoso que o outro!

No ambiente externo, são expostos os aviões que, simplesmente não cabem nos hangares: C-130H, ERJ-140, 737-200 e C-91.

  • Nota nº1: o MUSAL tem um acervo bem maior de aparelhos, mas eles são ciclados de tempos em tempos para renovar a exposição e por critério de manutenção, então não vi algumas aves como o Meteor F.8, o C-46 Commando, o DC-3 da Varig, o H-34 Super Puma, C-115 Buffalo e F-104 Starfighter.
  • Nota nº2: em 2002 havia uma lojinha que vendia souvenires e até mesmo kits dentro do MUSAL. Ainda que esteja no prospecto, foram feitas algumas alterações e reformas no ambiente e ela foi suprimida(não sei se temporaria ou definitivamente). Espero que ela volte a operar em breve, pois é tenso a gente que é colecionador ir num lugar desses e voltar só com um par de prospectos!!
  • Nota nº3: o ideal é visitar esse museu com dois dias. No primeiro, você fica só nas salas temáticas e no seguinte, vê os aviões. Senão, não dá pra ver tudo. Se tiver apenas um dia, veja os aviões e, então, siga pelas salas temáticas. Vá com um calçado confortável e roupas leves(os hangares não são climatizados, só as salas temáticas).
  • Nota nº4: se quiser um passeio tranquilo, evite datas comemorativas, pois aquilo enche(só uma excursão escolar já atrapalhou bastante no dia que estivemos lá).

No mais, é uma viagem maravilhosa, que vale muito à pena de ser feita. Em nossa volta, tivemos uma série de problemas: como fomos em grupo, obviamente gastamos muito tempo contando piadas e implicando uns com os outros, então erramos o caminho várias vezes, perdemos diversas entradas e saídas e fomos parar do outro lado da linha férrea, passando por Cascadura, Abolição, Pilares, Todos os Santos, Cachambi, Maria da Graça, Benfica e Manguinhos antes de pegar o caminho para o Aeroporto. Então é bom ter um pouco de foco na ida/volta. A vantagem é que achamos o Museu conde de Linhares do Exército e já estamos planejando outro bate-volta!

Galeria do MUSAL

Para acessar todas as fotos, clique aquiaqui e aqui.

Referências

http://diariodorio.com/historia-do-campo-dos-afonsos/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_aeronaves_do_acervo_do_Museu_Aeroespacial


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About the Author

Engenheiro de computação formado na UFES e com diversos cursos na área de redes e tráfego de dados, absolutamente louco por carros, aviões, trens, tanques, caminhões, história e estratégia. É o braço técnico da UdK.



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