Geral Tamiya chamada

Published on março 29th, 2017 | by ES1

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Tornando o plástico em algo fantástico: a fábrica da Tamiya em Cebu

Antes de mais nada, venho agradecer e dar todo o crédito aos amigos do site Auto Industriya por terem feito essa magnífica matéria e por serem gentis o suficiente de nos autorizar a traduzi-la para a língua portuguesa, a fim de facilitar o entendimento dos nossos leitores.

Before anything else, I come to thank and give all credits to the Auto Industriya’ staff for doing this post and be kindly enough to authorize us to translate it to portuguese, so we can facilitate their understanding to our public.

Você certamente ouviu rumores décadas atrás: todos aqueles kits Tamiya, que todos adoramos como entusiastas que somos, eram fabricados em algum lugar das Filipinas.
Talvez você imaginasse uma armazém entulhado de caixas, semelhante ao que vemos em lojas de hobby como a Lil’s Hobby Center. Será que talvez eles tenham lançamentos especiais para presentear os que conseguem achar a fábrica? Se isso tudo passa pela sua cabeça, não se preocupe: você não é o único a pensar assim. Muitos entusiastas filipinos se indagavam se a fábrica sequer existia realmente. E, em caso positivo, qual seria o tamanho dela? Bastava pegar uma caixa de kit Tamiya, que os dizeres estavam lá para quem quiser ver(e ter a curiosidade aguçada): “Made in the Philippines”.

Todas as fotos são do site Auto Industriya, a menos que expressamente dito o contrário.

Bem, talvez nossas buscas pela mítica fábrica japonesa em Cebu possam ser postas de lado, finalmente. Graças a um acordo com a loja Lil’s Hobby Center, a fábrica da Tamiya generosamente abriu suas portas por um dia, para permitir que um pequeno grupo de jornalistas desse uma olhada nas dependências da fábrica e se inteirasse dos processos e procedimentos. Verdade seja dita: pode trocar “jornalistas” por “crianças” na sentença acima que o sentido não será alterado.

Aparentemente, a Tamiya se estabeleceu no país lá em ’94 com sua unidade que ocupa 4 hectares(40mil m²) em Cebu, já iniciando as operações um ano depois. Dito isso, é impressionante ver que os japoneses já contam com mais de 20 anos de funcionamento, trabalhando quietinhos enquanto fazem maravilhas de que o mundo inteiro desfruta.


Nessa jornada, o Vice-presidente Sênior Go Tsuboi(extrema direita) e o Gerente Geral Assistente Hironori Hane(2º da direita) estiveram encarregados de receber os visitantes da fábrica. Com conhecimento profundo de cada processo-chave, eles puderam nos dar uma boa idéia do tamanho do trabalho que é envolvido para fabricar as miniaturas.
Primeiramente, fomos introduzidos às máquinas que injetam plástico nos moldes que eventualmente formarão as árvores de peças. Com cerca de 51 injetoras de plástico, a Tamiya pode fazer várias peças e kits de uma vez só. Juntamente com esses dispositivos, há pessoal dedicado a avaliar a presença e remoção de rebarbas.

Após andar ao longo da linha da sala de máquinas, nós nos encontramos com o responsável pela prensa de carrocerias de policarbonato pros modelos de rádio-controle. Com várias escalas para trabalhar, as máquinas são de diversos tamanhos. Na foto acima,  é possível ver um funcionário trabalhando na prensa das carrocerias de Ferraris 599.

Enquanto as carrocerias de policarbonato podem ser compradas transparentes, algumas são adornadas e postas em kits completos para serem vendidas. Isso significa que algumas carcaças passarão por um trabalho muito mais intrincado, nas mãos de pessoas dedicadas a montar miniaturas caso o cliente não tenha paciência (ou tempo) para fazê-lo. Mas aí onde que fica a graça?


Após o mascaramento apropriado, as carrocerias são enviadas para uma correia transportadora dentro de um cubículo. Esse cubículo, na verdade é uma pequena cabine de pintura para que um funcionário possa começar a dar vida àquela peça. Será que você conseguiria reconhecer o que estão pintando agora?

Seguidamente à pintura, as peças seguem pela correia transportadora para um dos 4 fornos afim de que a pintura seja curada. A peça resultante é desmascarada e armazenada até o próximo passo. Veja todos esses Nissan Silvia S15 bem na minha frente e imagine o quão desesperado eu estava para levar um pra casa!

Já se perguntou como a Tamiya consegue deixar aqueles pedaços de plástico com aquele aspecto cromado fantástico? Eles são particularmente orgulhosos do processo que desenvolveram para obter essa aparência: o vácuo expande o plástico, permitindo que o alumínio (vaporizado pelo calor gerado por um fio de tungstênio) escoe para a peça – como o metal está entranhado no plástico, ele acaba sendo menos propenso ao descasque. Uma camada tópica é então aplicada para dar aspecto anodizado à peça de acordo com a necessidade.

Vários moldes de metal como o Toyota Celica ST185 e do Lancia Delta Integrale são armazenados por toda a fábrica e eram vistos à medida que andávamos por ela. Não resisti e parei para tirar uma foto deles, já que são carros icônicos dos anos ’90.

Nós fomos levados à área onde é feita a Coleção Tamiya Masterwork em seguida. Ela é, basicamente, uma miniatura perfeitamente montada na 1/24 sem detalhes extras(direto da caixa ou “DDC”) e revendida por um preço substancialmente maior. Há diversos artesãos trabalhando nessa linha de montagem em particular, construindo centenas de exemplares de um modelo específico. Durante nossa visita, a bola da vez era o Honda NSX(o novo).

O controle de qualidade é um assunto seríssimo para os japoneses e a Tamiya não é exceção. Cada peça, detalhe e rebite tem que ser otimizado para dar ao cliente a verdadeira “experiência Tamiya”. Dito isso, produtos como a linha pré-montada Expert Built RC têm os chassis testados rigorosamente logo após a montagem.

Dado o número de itens que devem ser feitos na linha de produção, cada funcionário é designado para uma tarefa específica, antes de passar o que quer que seja para a próxima fase. Basicamente cada pessoa tem 240s para executar qualquer que seja a sua tarefa e, considerando que isso pode envolver adesivagem, parafusamento ou encaixe de diversas peças, a concentração para manter a velocidade e consistência do serviço não pode ser subestimada!

A próxima parte do nosso tour levou-nos às máquinas que de fato constroem os moldes para serem usados em novos kits. Acima, nós vemos um molde que produziu as peças para que fossem moldadas as metades da fuselagem de um caça-bombardeiro F-4 Phantom.

A Tamiya produz tudo de que precisa dentro dos portões da própria fábrica, o que inclui as até caixas pros kits! A operação toma tamanho vulto que foi preciso montar uma subsidiária, a Tamiya Chuo Company só para gerir a produção das embalagens e o processo de empacotamento!

Você sabia que muitos box-arts da Tamiya na verdade são impressões de pinturas? A empresa encomenda uma arte para ser posta no topo das caixas da maioria dos kits. Apesar de terem se desviado um pouco dessa tradição ao adotar ilustrações feitas no computador, isso ainda serve para distinguir seus produtos, dando-lhes um toque mais artesanal e exclusivo.

Acredito que não falo só por mim quando digo que a Tamiya tornou-se parte de nossas vidas de uma forma ou de outra. O entretenimento gerado por esses kits não só proporciona momentos de lazer, mas também permite que exploremos as fronteiras de nossa imaginação. Dito isso, nós somos eternamente gratos ao pessoal da fábrica Tamiya por essa oportunidade única de dar uma olhada mais de perto no trabalho envolvido na confecção dos kits.

Após todo esse bombardeio de informações, ainda estou pensando que eu poderia ter trazido algo dessa viagem. Parece que terei de fazer um pit-stop num hobby shop agora…

Gostaríamos de estender nossos agradecimentos a  Justin Uy da Hobbes and Landes, Shakespeare Chan da Lil’s Hobby Center, Robert Tan e Albert Go da Blade Auto Center, e Go Tsuboi e Hironori Hane da Tamiya Inc. por nos convidarem e acomodarem durante a visita.

Galeria da visita à Tamiya-Cebu

Fonte

Para ler a matéria original, vá ao site filipino Auto Industriya clicando aqui.

Quer saber a história da Tamiya? Relembre no nosso post aqui.


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About the Author

Engenheiro de computação formado na UFES e com diversos cursos na área de redes e tráfego de dados, absolutamente louco por carros, aviões, trens, tanques, caminhões, história e estratégia. É o braço técnico da UdK.



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