História

Published on dezembro 31st, 2014 | by ES1

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Tempestade na Caxemira(Parte1)

Introdução

A região da Índia, Paquistão, China, Tibet e Bangladesh é uma zona conturbada há tempos. De lá, saíram diversos conflitos pouco conhecidos e de grande valor para análise. Do ponto de vista do plastimodelismo, a pesquisa histórica das raízes e dos desenvolvimentos, além dos equipamentos usados torna-se altamente relevante para o hobby e para os praticantes que muitas vezes podem ter a chance de conhecer mais sobre a história do mundo e de expandir seus horizontes modelísticos.

Raízes da conflagração

A região do sub-continente indiano, que engloba Índia, Paquistão, Bangladesh, Nepal, Tibet, Butão e parte da China começou a ser colonizada por povos nômades, que seriam a base dos hindus. Séculos depois, os muçulmanos vieram pelo oeste e tomaram conta da região até que os mongóis conquistaram toda a região. Em seguida ao esfacelamento do império mongol, a região se quebrou em vários principados: com essa desintegração, os europeus chegariam facilmente ao controle dos territórios. Primeiro vieram os portugueses até que os ingleses e a Companhia das Índias Orientais tomassem conta das rotas de navegação e do comércio de especiarias. Logo ficou claro que se poderia tomar conta de toda aquela região, controlando o comércio entre Europa e Ásia. Os britânicos se embateram com os franceses até que, finalmente pudessem fincar o pé em toda a região.

Os domínios britânicos pré-partilha

O controle britânico passou a sofrer resistência dos “indianos originais”, organizados tanto na Liga Muçulmana, quanto no Conselho Nacional Indiano. Revoltas e mais revoltas estouraram até que, sob o comando de Archibald Wavell(sim, o mesmo que guerreou contra Rommel na África do Norte na IIGM) o Império decidiu deixar o subcontinente, o que não foi uma tarefa nem trivial e nem bem executada: receosos do controle que os hindus teriam sobre os muçulmanos, foi decidido que áreas com maioria islâmica ficariam sob um estado diferente do da maioria hindu. Claro que uma divisão tão simplista, abrangendo um território com centenas de etnias não resultaria em algo 100% garantido. Mas foi assim que surgiriam os dois Paquistões: Oriental e Ocidental, além da própria União Indiana. Seguiu-se uma migração maciça de pessoas de etnias diferentes por toda a região a fim de se relocar em áreas que fossem mais etnicamente e culturalmente propícias, gerando alguns tumultos e violência.

Mapa da Índia pós-partilha

Entretanto uma região ficou com uma curiosa divisão: a Caxemira(Kashmir & Jammu) tinha governo de um marajá indiano, mas a maioria esmagadora da população era muçulmana. Sob o risco de o Marajá aderir à Índia, milícias paquistanesas tentaram derrubá-lo, só que o tiro sairia pela culatra e acabou que a Caxemira aderiu à união indiana, em vez de cair em mãos paquistanesas(ela poderia permanecer uma região autônoma e independente também, mas…). Começava aí a primeira conflagração entre indianos e paquistaneses.

O primeiro grande embate: 1947

Conforme dito, o território da Caxemira era controlado por indianos, mas populado por muçulmanos. Mesmo sem uma intenção de se unir à Índia, os paquistaneses enviaram milícias wazires para tomar objetivos importantes e depor o governo do marajá, colocando os muçulmanos sob controle do Reino do Paquistão.

Paquistaneses violam a neutralidade da Caxemira e o a Índia entra no conflito

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A Caxemira quando ainda era totalmente autônoma

 Os ataques começaram através da fronteira, em Muzaffarabad/Domel, onde as tropas do marajá foram atacadas tanto por milicianos, quanto por cidadãos revoltosos que aderiram à causa paquistanesa em 27/10/1947. A esse ataque, foi seguido um segundo, partindo do sul através de Kotli contra o vale Poonch. As milícias paquistanesas eram apoiadas indiretamente pelo exército e alguns membros delas eram soldados regulares.

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Invasão miliciana!

Mesmo assim, em vez de atacar, empurrando as forças locais e eventualmente abrindo caminho até Srinagar, a pilhagem e demais atividades criminosas pareceram mais interessantes naquele primeiro momento. Mesmo assim, diversas unidades militares ficaram presas em vilarejos cercados até novembro.

Tropas paquistanesas regulares que avançaram assim que o Exército Indiano entrou na Caxemira

Deve-se notar que, antes do ataque e mesmo durante, o Marajá não tinha se unido à Índia. Não vendo outra solução, porém, ele assinou um termo no qual o Estado da Caxemira passaria a estar sob proteção de Nova Dheli. Imediatamente, a Força Aérea Indiana(Bharatiya Vāyu Senā, BVS doravante) começou a transportar tropas e materiais para reforçar a região da cidade de Srinagar.

Fortalezas nas montanhas como a Hari Parbat que vigia Srinagar tornavam os ataques extremamente difíceis para os invasores se bem utilizadas.

De lá, começaram a combater e a fazer as milícias paquistanesas recuarem. No norte(ainda sem forças indianas efetivas), os milicianos estendiam seus tentáculos desde Gilgit, no setor noroeste. Com a entrada das forças regulares indianas no TO, o Paquistão engajou seus militares oficialmente no conflito.

Milicanos paquistaneses: desde civis revoltosos, até unidades militares estavam misturadas e disfarçadas de rebeldes durante a invasão de 1947

Enquanto isso, os indianos pressionavam as forças irregulares muçulmanas partindo de Srinagar, rumo noroeste em dois eixo, livrando Uri e Baramulla. No sul, uma coluna de apoio seguiu de Naoshera, passando por Jhanger e seguindo para Kotli. Mesmo chegando à destinação, a presença paquistanesa era tão pesada, que só se pôde recolher as forças amigas e abandonar a referida cidade. A libertação do vale de Poonch iria levar mais tempo do que o previsto…

Genocídio e o agravamento do conflito

Como medida retaliatória e para mudar a composição demográfica da região , o Marajá Singh deu ordens de desmobilizar todos os muçulmanos nas forças de defesa e da polícia de Jammu, seguido do extermínio completo de qualquer muçulmano que estivessem em territórios controlados pelas tropas de Jammu-Kashmir. Tal foi a precisão do ataque conduzido, que os números chegam a assustar: 123 vilas foram completamente dizimadas, algumas cidades foram inteiramente incendiadas e o número de mortos ultrapassa a casa das centenas de milhares. Assassinatos foram levados a cabo contra qualquer um que fosse muçulmano, em qualquer lugar e as propriedades dos atacados foram remanejadas para os hindus. Outro aspecto importante é o fato de outras autoridades apoiarem essas ações e fomentarem a distribuição de armas para grupos para-militares como a RSS.

Sobre a RSS inclusive é interessante levantar alguns dados: é um grupo nacionalista de direita, criado com a idéia da criação de uma Índia racialmente pura. Fãs tanto de Adolf Hitler, quanto do Estado de Israel, boa parte do genocídio ocorrido na Caxemira teve ajuda e participação direta deles, perseguindo e atacando muçulmanos onde pudessem.

Claro, nem todos que lutavam do lado dos indianos foram favoráveis ou levaram a cabo as ordens de ataque à população civil, sendo inclusive reconhecidos pelos próprios paquistaneses como “hérois adversários”.

Operação Vijay

Após tomar Mirpur, os paquistaneses partiram rumo à Jhanger que caiu rapidamente. Os indianos, em contrapartida, seguraram contra-ataques a Uri(oeste) e Naoshera(sudoeste da Caxemira). Dessa última cidade, partiu a Operação Vijay, que retomou Jhanger e Rajauri, enquanto ao norte, Skardu começou a sofrer assédio de paquistaneses vindos de Gilgit.

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Enquanto as forças da Índia se focam no sul, os paquistaneses do grupamento de Batedores de Gilgit tomaram uma grande área do norte, acossando Skardu.

Em 1/5/1948, os indianos lançaram uma ofensiva pelo leste contra as posições inimigas em Tithwali, ao mesmo tempo que recebiam inúmeros contra-ataques de forças paquistanesas em Jhanger. A diferença é que cada vez mais as táticas de ataque melhoravam e o material começava a ficar melhor e mais pesado à medida que os paquistaneses engajavam forças regulares em detrimento dos milicianos tribais.

Forças do Exército Real Paquistanês movem peça de artilharia para a Caxemira

Mesmo assim, tais forças mostraram-se imensamente valiosas quando lançaram um profundo golpe vindo pela região do Himalaia, partindo de Gilgit pelo noroeste e virando pro sul, enquanto outra ponta da pinça atacava por uma brecha entre Gurais e Skardu.

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Poonch e Kotli tentam resistir ao assédio dos paquistaneses, enquanto os Batedores de Gilgit atacam pesadamente o norte, rumo a Skardu.

Se a situação dessa última cidade era ruim, imagine quando duas outras cidades bem mais para o interior(Leh e Khalatse) foram cercadas. Para piorar, forças rebeldes destruíram um comboio de ajuda que seguia para Skardu, deteriorando rapidamente a situação daquela cidade.

Pouco tempo depois, Kargil(situada entre Skardu e  Khalatse) caiu, seguida de Khalatse. Com a chegada de unidade de apoio dotadas de artilharia, a situação ficou insustentável e Skardu fora tomada por paquistaneses.

A chegada de novas tropas paquistanesas em Skardu liberou as unidades que sitiavam a região, os Batedores de Gilgit(incluindo unidades pára-quedistas), para começarem a se deslocar para outras áreas. Ao mesmo tempo, diversos milicianos estavam tomando posições nos vales(especialmente os que ficam em Rajdhani) aguardando o derretimento da neve que bloqueava o caminho para outras áreas controladas por indianos. Com o derretimento da neve, os paquistaneses tomaram Tragbal, que era meio caminho para Bandipore. Entretanto, os indianos responderam a esse desenvolvimento, lançando as forças do 2º Batanhão Bihar, efetivamente expulsando os inimigos de Tragbal.

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Indianos tentam ressuprir sem sucesso as forças sitiadas em Skardu, mas falham ao serem atacados sistematicamente de posições mais altas nas montanhas.

A derrota no norte(a perda de Skardu, Khalatse e Kargil) exigia uma resposta à altura. O Alto Comando da Índia divisou o lançamento da Operação Eraze, cujo objetivo era a captura de Gurais. Para tanto, foram mobilizadas as forças da 1º Divisão Granadeira, 2º Batalhão de Infantaria, 2º Batalhão de Fuzileiros Gurkhas e a Bateria de Artilharia Patiala: a 1ªGranadeira deveria se deslocar de Baramulla e tomar o Passo Rajdhani. Contando com a sorte e a velocidade do avanço, os indianos chegaram e estabeleceram posições defensivas poucas horas antes de as forças do Paquistão, iniciando violento confronto que resultou na expulsão dos paquistaneses para uma posição defensiva. Para piorar a situação, as forças do Paquistão logo começaram a sofrer um violento choque dos fuzileiros Gurkhas no dia 24/6. No dia seguinte a 1ªGranadeira Indiana iniciou marcha através das montanhas cobertas por neve, galgando caminho através de picadas e trilhas estreitas, enfrentando nevascas e tendo de carregar munição e armas! Conseguindo surpresa tática, os indianos atacaram e no dia 28 de junho tomaram a cidade de Gurais, que era um vital centro de comunicação naquela área.

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Antigo monastério usado como fortaleza na região de Leh-Ladakh

Retomando o ataque, os Gurkhas se lançaram contra a posição frágil dos paquistaneses e os desalojaram de Kanzalwan; pouco tempo depois, começaram a sofrer contra-ataques das tropas adversárias. Cansados do cerco e com posição vulnerável, os fuzileiros de choque indianos abriram caminho entre os paquistaneses com um ataque em pinça noturno suportado por artilharia, que abriu caminho para os Gurkhas se deslocarem de Kanzalwan até Taobat(uma posição mais sólida). De lá, seguiriam para nordeste, a fim de estabilizar a defesa de todo o vale Kashmir. Segurando o setor central, era hora de voltar atenção para o flanco norte.

Flanco setentrional: mudança no eixo de ataque indiano

Skardu havia caído e as tropas paquistanesas estavam se deslocando de lá, rumo ao próximo objetivo: Leh. Sitiada, a cidade resistia como podia à pressão dos invasores, mas precisava desesperadamente de armas, munição e víveres.

Recebendo a incumbência de ajudar os defensores em Leh, 40 voluntários do Regimento Dogra indiano reuniram munição, armas e mantimentos para o transporte. O caminho mais curto era através do Passo Zoji-La, dando direto na terra de ninguém a poucos quilômetros de uma cidade controlada por paquistaneses(Dras). Desviando dos inimigos da melhor forma possível e enfrentando o frio do início do inverno, o pequeno grupo de suporte chegou incólume à Leh. A carga foi de grande valia e muitas unidades de defesa puderam ser reforçadas até que a fase 2(acabar com o cerco) tivesse início.

M5 indiano

Sem componente aéreo, os paquistaneses estavam sendo atacados pela BVS e ainda tinham que lidar com o transporte aéreo de munições, armas e mantimentos para cidades como Leh. Para piorar, os paquistaneses ainda tiveram uma surpresa muito desagradável quando tanques M5 Stuart indianos apareceram na frente de batalha, apoiados por infantaria e artilharia de QF25-pdr: os tanques foram transportados desmontados até o TO e as trilhas estreitas foram expandidas através do trabalho dos engenheiros de combate da Divisão Madras.

Obus QF 25-pdr sendo rebocado. Um blindado Humber passa ao largo da coluna.

Com uma posição forte o suficiente, logo a Brigada de Pára-quedistas nº77 que tinha sido lançada em Leh meses antes, pôde se colocar em marcha e recapturar Matayan e Dras, ligando-se com as forças amigas no Passo Zoji-La.

Operação Easy: a fim do cerco a Poonch

Gozando de um moral renovado, os indianos iniciaram os preparativos para um ataque na frente central para destruir o cerco à cidade de Poonch. Ao contrário de cidades como Mirpur, Kotli e Bhimber, Poonch era uma cidade que tinha maioria muçulmana, sendo o grande alvo dos paquistaneses. Por outro lado, era uma confluência importante entre os rios Batar e Suran(que se uniam na cidade para formar um rio homônimo a ela) e tinha umas poucas estradas interligando a cidadela à outras, como Naoshera. Ao redor de Poonch havia uma grande cadeia de montanhas e muitas trilhas que levavam para lá ficavam intransitáveis durante parte do ano. O fato de haver poucas tropas disponíveis e de os indianos focarem o vale Kashmir e a região de Leh primeiro, dificultaram muito o trabalho dos defensores estacionados em Poonch.

Para piorar, os paquistaneses infiltraram sabotadores e agitadores em Poonch para desestabilizar o apoio popular ao governo de Jammu-Kashmir, rendendo vários civis de origem muçulmana aderindo à causa paquistanesa. Some-se a isso, a inflação de refugiados de guerra que tentavam escapar das atrocidades cometidas nas áreas de guerra(pelos dois lados) e temos um quadro humano totalmente deteriorado visto sob qualquer ângulo.

Mesmo assim, as forças indianas reforçaram a cidade e auxiliaram as forças locais(J-K) poucas horas antes de as unidades do Paquistão acossarem toda a área, fechando um cerco que duraria vários meses.

Contrariamente o que os militares indianos desejavam, Poonch seria mantida com as privisões e reforços providos pela BVS até que o cerco fosse suspenso. Para tal, os indianos dispuseram o 1º Batalhão Pára-quedista do 1º Regimento Kumaon em 1947 para auxiliar as forças locais e, em 1948 entraram em ação o 3º Batalhão do 9º Regimento de Fuzileiros Gurkhas levados via aérea. A cidade ficou sob o comando do Brigadeiro Kishen Singh, das forças J-K.

Claro que um vilarejo como Poonch não possuía um aeroporto: os locais, auxiliando o exército da Índia, montaram uma pista improvisada rapidamente para que os C-47 Skytrain pudessem abastecer a cidade de tropas e mantimentos e evacuar os feridos e civis no dia 12/12/1947.  Uma vez concluída a pista, um T-6 Harvard fez um pouso de teste e avaliação. Liberada logo em seguida, foi estabelecida a Aerovia Poonch(Poonch’s Drive) na qual os C-47 começaram a operar dia e noite(mesmo que não houvesse aparelhagem para voos noturnos). Apesar da ausência da Força Aérea do Paquistão (que só tinha 3 dos 10 aeródromos construídos na época do domínio inglês em seu território), os C-47 voavam junto aos T-6 e Hawker Tempest: enquanto os transportes auxiliavam no sustento da cidade sitiada, as demais aeronaves faziam ataques contra comboios e posições paquistanesas.

Douglas C-47 Skytrain/Dakota da BVS durante a fase de ressuprimento aéreo de Poonch. O avião é finalizado em metal natural.

A situação em Poonch começou a ficar preocupante com a chegada de obuses que foram posicionados nas montanhas e passaram a disparar contra a região do aeródromo e da cidade. Apesar das mais de 400 balas disparadas, nenhum dano material sério foi causado. Para responder, os indianos usaram os C-47 para levar obuses 25-pdr à noite, para montar uma bateria fora das vistas dos inimigos. No dia seguinte, o fogo paquistanês começou a ser devida e pesadamente respondido. Mesmo assim, um dos Dakota foi destruído pela artilharia paquistanesa. No dia seguinte, C-47s convertidos para bombardeiros, T-6s e Tempests vieram em peso para se vingar.

Hawker Tempest com pessoal da BVS em primeiro plano. O caça-bombardeiro tinha pintura cinza-verde padrão da RAF com com spinner vermelho ou azul(dependendo do esquadrão) e marcações nacionais da Índia

Em meio aos embates, necessidades cotidianas básicas da população ficavam cada vez mais prementes, como achar alimentos. Embora a guarnição da cidade sitiada repartisse os mantimentos, isso ainda era insuficiente e a solução foi deveras ousada e arriscada: pára-quedistas indianos escoltavam mulheres e crianças(os homens se encarregavam de obras e da defesa) para as plantações, com o intuito de fazerem a colheita. O detalhe é que essas zonas de plantio ficavam bem no meio das posições paquistanesas que respondiam com fogo nutrido sempre que possível. Muitos soldados e civis foram mortos durante esses “reides”.

Para acabar com o cerco, o Brigadeiro Yadhunat Singh, orquestrou a Operação Fácil(Easy Op). Com apoio aéreo, infantaria totalizando 2 Brigadas e a Coluna Rajauri, artilharia de campo e tanques Sherman, os indianos lançaram todo o peso do seu ataque na noite do dia 6 de novembro de 1947. Em pouco tempo, Bhimber Gali e o Forte Ramgarh caíram. Seguindo adiante, os indianos usaram o elemento surpresa para tomar diversos fortes e posições, embora alguns só caíssem com o uso da aviação e da artilharia. Com as novas posições, a artilharia pôde ser direcionada de forma eficiente para os novos alvos descobertos: posições de abastecimento e colunas de tropas nos vales logo abaixo.

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Ápice do avanço paquistanês

Prosseguindo o ataque, os indianos encontraram forte resistência pelo flanco esquerdo que levava a Mendhar. Mudando a direção do ataque, sondaram o flanco direito com ótimos resultados: com a defesa débil desse setor, logo outros setores, que guardavam Kotli e Chingas foram perdidos pelos paquistaneses e quando o Monte Topa e a cota 5982 também mudaram de mãos, os indianos em Poonch iniciaram um ataque para acabar com o cerco. No dia 20/11, os indianos romperam o cerco e 3 dias depois Mendhar caiu. Logo em seguida, foi construída uma estrada para veículos leves entre Mendhar e Poonch.

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Com a ONU intervindo, os dois lados depuseram armas, com uma linha divisória  sendo fiscalizada pelas Nações Unidas: 2/5 da Caxemira ficaram com o Paquistão e o resto(incluindo as cidades mais populosas e as áreas mais férteis) passou para a tutela da Índia. Jammu-Kashmir deixava de existir como zona autônoma.

Não seria essa a última vez que a Caxemira tremeria ante as armas dos dois lados. Perseguições à minorias, genocídio, estupro coletivo e crimes de guerra seriam cometidos pelos dois lados com intensidades variáveis, manchando a honra dos que lutaram não se valendo desses expedientes e minando um grande descontentamento e animosidade de um lado contra o outro, o que garantiria que esse primeiro episódio não seria o último entre as duas nações.

Fontes

PRAVAL , K.C.; The Indian Army After the Indenpendence, Lancer Publishers LLC, e-ISBN 978-1-935501-61-9

Military Operations in Poonch(1948): http://en.wikipedia.org/wiki/Military_operations_in_Poonch_(1948)

Indo-Pakistani War of (1947): http://en.wikipedia.org/wiki/Indo-Pakistani_War_of_1947

http://www.wikileaks-forum.com/kashmir/528/jammu-massacre-06-november-1947-and-mass-migration-to-pakistan/24810/

RSS: http://en.wikipedia.org/wiki/Rashtriya_Swayamsevak_Sangh#War-time_activities


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About the Author

Engenheiro de computação formado na UFES e com diversos cursos na área de redes e tráfego de dados, absolutamente louco por carros, aviões, trens, tanques, caminhões, história e estratégia. É o braço técnico da UdK.



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