Kits Akatsuki Tamiya

Published on May 30th, 2016 | by ES1

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Análise UdK: destróier classe Akatsuki Tamiya 1/700

  • Histórico

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A classe Akatsuki, também conhecida como “Tipo Especial” foi um grupo de 4 contratorpedeiros encomendados para a Marinha Imperial do Japão, sucedendo a classe Fubuki. Em relação aos predecessores, os Akatsuki tinham diversas melhorias como o número menor de caldeiras(que eram em compensação, mais eficientes) e lançadoras de torpedo que permitiam recarga durante a viagem. Um problema sério que permanecia, no entanto, era a má estabilidade em mar bravo, causada pela baixa altura metacêntrica(traduzindo: tendência de emborcar, ou rolar de lado). Esse problema causou a quase perda de um torpedeiro, o IJN Tomozoru e, durante uma forte tempestade que pegou em cheio a Quarta Frota Imperial, praticamente todos os navios presentes(que participavam de jogos de guerra) foram seriamente danificados, desde um lança-minas até um porta-aviões!

Para contornar esse problema, a Classe Especial que começou a ser lançada ao mar em 1932 foi estacionada e praticamente refeita entre os anos de 1935/7, ganhando em termos de deslocamento e perdendo um pouco de sua alta velocidade(inicialmente essas embarcações atingiam mais de 70km/h, com alcance superior a 7400km).

No capítulo de armas, os Akatsukis tinham 3 lançadoras de torpedos triplas para armas Tipo 8(substituídos pelos Tipo 93 “lança longa” posteriormente). Na artilharia, havia 3 reparos duplos de 127mm de uso dual, dois trilhos para cargas de profundidade na popa(18 cargas ao todo) e metralhadoras antiaéreas de 13mm. Os 4 navios lançados foram batizados como Akatsuki, Hibiki, Izakuchi, Inazuma.

Fabricado em Sasebo, no ano de 1930, o Akatsuki pertencia à superclasse Fubuki(da qual derivam, além dos Akatsukis, os Ayanamis e os Fubukis originais). A ênfase japonesa era tanta para o uso de torpedos, que esses destróieres possuíam acima da ponte de comando, uma sala de guerra para o lançamento dessas armas, logo abaixo do telêmetro de tiro das baterias de 127mm.

Logo que foram completados os 4 destróieres uniram-se à Primeira Frota e tomaram parte na Segunda Guerra Sino-Japonesa até o dia do ataque aos EUA. No final de 1941, o Akatsuki estava apoiando invasões à Malásia Britânica, às Índias Orientais Holandesas e Filipinas. Depois, participou de ações contra as Ilhas Aleutas, as Salomão e Truk.

Em Guadalcanal, ele tomou parte do Expresso de Tóquio, para reabastecer as tropas amigas e participou de um reide diurno contra a Marinha Americana, afundando duas embarcações e danificando outra antes de ser repelido pela artilharia costeira inimiga.

Dias depois, escoltando os encouraçados Hiei e Kirishima, o Akatsuki  engajou-se numa ação noturna na qual ao iluminar o USS Atlanta, acabou chamando para si o fogo de artilharia de diversas unidades inimigas de superfície. O saldo do massacre foi de 18 sobreviventes em meio a uma tripulação de 197 pessoas. Os irmãos tiveram uma vida um pouco mais longa: o Hibiki sobreviveu à IIGM e foi parar nas mãos da Marinha Soviética, o Ikazuchi foi afundado em Woleai no ano de 1944 pelo USS Harder e o Inazuma também foi vítima da USN em 1944 perto de Tawitawi pelo USS Stormfish.

  • Apresentação

DSCF4521A Tamiya apresenta seu kit 31406 através de uma caixa semelhante à da Revell, mas mais rígida. Na frente, um box-art com dados básicos e, no verso, um esquema de pintura que causou dúvidas:

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Há muitas montagens na web em que o deque possui áreas pintadas na cor do casco e outras nas quais há a aplicação de uma cobertura de linóleo. Segundo a própria Tamiya, essa cobertura era aplicada apenas em embarcações maiores como cruzadores(em alguns casos, havia a aplicação de chapas de metal pura e simplesmente). Como são não achei fotos na internet com vistas de cima dessas embarcações, cabe ao modelista acreditar no fabricante ou procurar em livros. No meu caso, recorri à bibliografia da Osprey e não achei nenhuma foto de época que contradissesse a Tamiya. Vai ser tudo cinza então! A própria fabricante provê os códigos de tintas para o kit no verso. Pena que muitas explicações vêm em japonês.

No mais, são poucas cores usadas: branco para a proteção dos mecanismos de elevação dos canhões e para a coberta dos barcos, vermelho para a linha d’água e o cinza da IJN que é uma mistura de cinza azulado(2) com cinza escuro(1) para todo o resto.

  • Conteúdo da caixa

DSCF4522Abrindo-se a caixa, é possível se deparar com duas sacolas de peças, uma pequena folha de decalques e uma embalagem de papel grosso. Temos dois manuais principais(inglês e japonês) também inclusos. Da esquerda para a direita na foto acima: manuais e folha de cuidados; sacola com as peças para o navio; sacola com peças extras.

  • Qualidade do plástico

    • Presença de rebarbas: Absolutamente nenhuma rebarba em nenhuma das peças. Parabéns, Tamiya!
    • Detalhamento: Aqui a gente vê algumas limitações da idade. Embora eu não consiga dizer precisamente o quão antigo esse molde seja, eu chutaria anos ’70. E a idade começa a pesar em certos detalhes como a ausência de âncoras na proa, a ausência do molde das bóias individuais ao lado da onte de comando e super estrutura que guarda a torre B. O mastro principal carece também de uma estrutura em formato de “V”, ao redor do nível onde fica a ponte de comando do navio falta uma área de tráfego de pessoal. Omitidos também foram os detalhes de bombordo da superestrutura de ré(onde fica a torre B) e de boreste à meia-nau. Outra omissão foi a falta da representação das escotilhas em todo o modelo: nem no casco, nem na super-estrutura, nem nos canhões ou nas lançadoras de torpedo.
    • Peças de difícil remoção: Todas as peças saem com facilidade. Apenas tenha cuidado com o mastreamento por ser delicado.
  • InstruçõesDSCF4527

    • Clareza: O kit possui uma quantidade pequena de peças e a montagem é feita em poucos passos que não dão margem à duplicidade.
    • Simplicidade: Mais fácil de montar que muito snap por aí. Entretanto, certifique-se de trabalhar em local apropriado para não perder as peças minúsculas e esteja com o oftalmologista em dia.
    • Completude: Irretocável nesse ponto.
    • Correção: Irretocável aqui também.
  • Originalidade

    • Item raro: O Akatsuki mais comum de se encontrar é o da Tamiya mesmo. O único concorrente é o da Pit-Road/Sky Wave que vem com bem mais detalhes e é full hull. Em compensação é mais difícil de se achar e o preço costuma ser o dobro.
    • Variante rara: a classe Akatsuki possui representação pela Tamiya e Skywave que ainda possibilitam que ache os irmãos Inazumi e Hibiki. Não se trata portanto de algo muito raro, pois, embora apenas duas fábricas os produzam, a oferta é considerável e outros vasos podem ser encontrados.
  • Versatilidade

    • Presença de peças para representar outras variantes/versões
    • Possibilidade de representar itens de outros países: Apenas os japoneses e soviéticos operaram os Akatsukis(a URSS recebeu o Hibiki conforme dito anteriormente). Com fotos de época(o problema é achá-las) não deverá ser difícil reproduzir a embarcação que operou como Verniy e Dekabrist até idos dos anos ’50.
    • Possibilidade de representar vários itens de um mesmo país: Se souber fazer os decalques, dá pra reproduzir qualquer um dos 4 navios da classe. Mas nada disso vem na embarcação.
  • Construção

    • Presença de vãos: Nenhum notado durante toda a construção.
    • Solidez dos encaixes: Ótima. Lembra que eu falei sobre um envelope de papel grosso lá em cima quando mencionei o conteúdo da caixa? É uma chapa rígida metálica que tem duas funções: servir de contrapeso e impedir que o kit empene já que o casco é oco.
    • Desníveis: Nenhum desnível entre peças, mas há um ou outro afundamento no casco(especialmente nos lados da proa) devido ao processo de injeção(ou à idade dos moldes).
  • Acabamento

    • Decalque: poucos, mas finos e de boa impressão.
    • Esquema de pintura: apenas um, sem maiores detalhes. O mais fácil para qualquer navio até hoje que eu já vi.
  • Montagem

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Todas as correções e upgrades a serem feitos em destaque nessa foto: âncoras na proa e a estrutura de meia-nau(vermelho), o detalhe na chaminé de vante(amarelo), plataforma da metralhadora de 13mm(verde), estrutura ao redor da torre B(azul, do lado oposto) e as escotilhas ao longo de todo o navio.

A montagem direta é realmente muito rápida e descomplicada.

Passo 1: Colar o contra-peso na base e colar o casco. Usar massa para cobrir quaisquer imperfeições;

Passo2: Primer em tudo. Dessa vez, estreei o Mr.Surfacer 1200 no aerógrafo, diluído em acetona. Fino, secagem veloz e boa adesão. Recomendado!

Passo3: Montagem dos subconjuntos das chaminés, da ponte de comando, base do holofote e da metralhadora de 13mm, base do telêmetro de ré e da torre B.

Passo4: Pintura das peças com o cinza da IJN.

Passo5: Pintura dos detalhes: gun metal para a metralhadora, branco para as proteções dos mecanismos de elevação e botes. e hull red para as linhas de flutuação. Os trilhos por onde passam os carros com as minas foram acendidos com uma caneta fina de tinta metálica. Uma vez tudo seco, resta envernizar com verniz brilhante.

Passo6: Decalcamento. Verniz brilhante para a proteção após 24h, para garantir a aderência do filme às superfícies.

Passo7: Wash e streakings por boa parte do navio, especialmente no convés e nos casco.

Passo8: Montagem das baterias e colagem de todos os subconjuntos ao convés.

Passo9: Montagem da mastreação e colagem do cabeamento.

Passo10: Verniz final(fosco).

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  • Conclusão

diamante_udkO kit da Tamiya, ainda que bem antigo, ainda é um bom negócio para os fãs da Marinha Imperial que não tenham acesso ao kit da Pit Road/Skywave. O kit foi adquirido por 30 reais, o que é uma pechincha para os dias de hoje, mesmo para um modelo tão pequeno. A maior carência desses destróieres não é a falta de photo-etcheds ou detalhamentos extras, mas sim as poucas referências com as quais possamos contar foram alguns livros em japonês ou da Osprey.

Para uma montagem desestressante, é altamente recomendado. Se quiser mais peças para montar, compre o Pit-Road, ou apele pro scratch e aftermarkets(no fim, a melhor reprodução do Akatsuki seria um kitbash do modelo Tamiya com o Pit Road). Esse kit merece pelo menos mais uma grade pequena para colocar algumas peças que realmente fazem falta e uma remoldagem nas peças do casco e superestrutura. É só o que separa esse kit de levar uma nota ainda mais alta!

Nota: 8,8

Ideal para qualquer fã da Marinha Imperial ou mesmo entusiastas da área naval, sejam iniciantes, ou de longa data!

  • Fontes

Em termos de livros, é possível citar:

The Imperial Japanese Navy Destroyers(Vol.1 e 2)

IJN Destroyers 1879-1945

IJN vs USN Destroyers

Na web, procure:

https://en.wikipedia.org/wiki/Akatsuki-class_destroyer_(1931)

https://en.wikipedia.org/wiki/Japanese_destroyer_Akatsuki_(1932)

http://www.globalsecurity.org/military/world/japan/akatsuki-dd.htm


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About the Author

Engenheiro de computação formado na UFES e com diversos cursos na área de redes e tráfego de dados, absolutamente louco por carros, aviões, trens, tanques, caminhões, história e estratégia. É o braço técnico da UdK.



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