Kits F-16DG-DJ

Published on março 30th, 2016 | by ES1

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Análise UdK: F-16DG-DJ Italeri 1/48(nº 2683)

  • Breve histórico do F-16

Criado em 1976 como um avião de caça diurno, o General Dynamics F-16A fez seu primeiro voo em serviço 2 anos depois. Desde então esse pequeno avião tem recebido upgrades sucessivos e se tornou a espinha dorsal de forças aéreas em todos os continentes, sagrando-se como caça multifuncional de baixo custo(relativamente), competindo com o MiG-29 pela preferência(e muitas vezes pela superioridade aérea) ao redor do mundo.

O caça fruto do projeto Light Weight Fighter/Air Combat Fighter tinha muitas distinções em relação às aeronaves concorrentes, como o canopy em forma de bolha com apenas um frame atrás da cabeça do piloto(na versão monoposta) e o manche colocado no console lateral direito. Desde seu lançamento, mais de 4500 células foram fabricadas e voam nas cores de 26 países diferentes. Para saber mais da história dessa aeronave de combate, veja o post de autoria do parceiro Carlos Emílio aqui.

F-16D_480th_FS_taking_off_Bulgaria_2010Um caça tão disseminado mundo afora obviamente é reproduzido por inúmeras fábricas, em diversas escalas, cores e variantes diferentes. Quando me deparei com a caixa desse kit, fiquei maravilhado e seu peso me deixou boquiaberto. Quando a abri, a descoberta de árvores que literalmente abarrotavam o seu interior deixaram-me inegavelmente excitado, só que eu precisava analisar tudo mais fria e objetivamente. Assim como o avião, esse kit também tem uma longa história: a primeira vez que os italianos injetaram esse F-16 foi na versão C(item 840) em 1994. De lá pra cá, ele originou as versões A, B/D e o mesmo molde base foi usado pela Revell(F-16A, 04543) e Heller(F-16D, 80249). Em 2010, a Italeri adicionou novas peças ao molde inicial(igual ao que tinha feito em ’97) e pôs nas prateleiras o F-16C Barak israelense(2686).  Por mais incrível que pareça, a Kinetic também compartilha os moldes italianos em seus Falcons desde 2010!

Em 2012 chegou ao mercado, mais uma oferta: o Lockheed-Martin F-16DG-DJ Fighting Falcon 1/48 que é o objeto de estudo dessa análise.

F-16DG/DJ ItaleriCuriosidade final: o F-16D da Italeri teve os moldes usados posteriormente pela Academy(KF-16D, 12226), Eduard(Nato Falcons, 1172) e Skunkmodels(F-16XL, 48026). Como Italeri e Tamiya têm acordos comerciais, eles vivem trocando muitos moldes entre si e o F-16 1/48 da Tamiya tem muitas peças comuns com o da fábrica italiana. A idéia é reforçada pelo fato de não haver um F-16 biplace nessa escala dos japoneses.

  • Apresentação

Contrariando sua prática, a Italeri apresenta o F-16 com uma linda foto de um dos caças da USAF em aproximação de pouso. A logomarca de produto licenciado da Lockheed-Martin dá uma alavancada violenta em termos de credibilidade. A caixa(em formato base+tampa) não tem tanta resistência quanto as da Trumpeter, mas é bem mais forte que as da Revell. A sensação de peso e o manuseio logo dão indicações claras de que há uma enorme quantidade de peças esperando o entusiasta.

F-16DG-DJAo redor da caixa, informações habituais com um curto histórico do avião e no fundo é possível ver as artes que sugerem como o avião pode ser terminado: são 3 aviões da USAF e 1 da PA(Aeronáutica Grega). Ao lado das artes, vemos fotos de todas as árvores 18(!!) e da extensa folha de decalque.

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Descrição básica da aeronave em 6 línguas

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Informações do kit em si

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Informações técnicas para a montagem

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As árvores, folha de decalque e esquemas de pintura no verso

Esse kit promete e a Italeri fez um ótimo trabalho de apresentação.

  • Conteúdo da caixa

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É tanta peça, que nem dá para apertar a caixa demais!

Abrindo a caixa(abarrotada de peças) do F-16DG-DJ Italeri, vemos um bom cuidado com a proteção das peças, que são embaladas em diversas sacolas diferentes. Mesmo peças muito delicadas, como os dissipadores de estática das asas e estabilizadores horizontais estão bem protegidos contra choques mecânicos. Entretanto, senti falta daquela proteção espumada para o canopy, comum nos Trumpeter, Hobbyboss e afins.

f-16dg-dj italeriMeu receio se concretizou quando vi uma pequena trinca que talvez poderia ter sido evitada. Se ele estivesse numa sacola totalmente separada, também não correria perigo de ser riscado à toa. No mais, nada a reclamar.

  • Qualidade do plástico

    • Presença de rebarbas

Decididamente, rebarbas não são um problema sério nesse kit. Não lembro de ter visto algum excesso sério de plástico.

    • Detalhamento

Dentre muitos modelos, esse tem um destaque especial especialmente na tubeira do motor e nos poços de roda(bem mais detalhados e complexos que os dos F-16 da Hasegawa, por exemplo). Apenas o F-16 da Tamiya tem peças a mais, mas não existe na versão biposta, conforme citado antes. Uma percepção pessoal minha é que esse kit tem mais peças do que deveria ou do que precisava: não que eu seja contra o mundo de armamentos extras que ele traz consigo; mas há alguns painéis soltos no meio da fuselagem que só servem para aumentar a contagem de peças desnecessariamente, pois não cobrem nenhum detalhe que possa ser mostrado. Isso foi herdado de alguma maneira da engenharia da Tamiya, que também apresenta os mesmos detalhes.

F-16DG-DJ Italeri

Embora a peça seja parecida, esse é o dorso do F-16C da Tamiya. As setas marcam duas das 3 áreas onde entram painéis cuja necessidade de existirem é questionável.

O bom é que, se o modelista quiser fazer um detalhamento da área do motor, ficará muito mais simples de exibi-lo através da fuselagem. Mas até agora, não vi ninguém fazer isso.

    • Peças de difícil remoção

Aqui o bicho começa a pegar. Raramente algum modelista fala de pontes(ou bridges), que são aquelas projeções das árvores que as interligam com as peças propriamente ditas. Em outras palavras, é onde a gente corta para destacarmos as peças. Pois bem, essas pontes devem ser delgadas o suficiente para que um alicate ou estilete possa ser usado com facilidade, mas este não é o caso.

F-16DG-DJ

Em branco, os pinos de injeção. Em vermelho, os bridges grossos

As pontes são MUITO grossas, o que é ruim para remover peças em geral e é periclitante quando falamos de peças muito delicadas. Minha recomendação é que o modelista que adquirir esse kit deve ter à disposição, uma mini-serra para destacar praticamente todas as peças a fim de não haver dor de cabeça com a remoção dos (grossos) excessos. Se tiver dificuldades em achar uma serra própria, é possível construir uma própria com lâmina de barbear. Outro ponto negativo são os pinos de injeção que, em certas peças podem ser chamados de pilares de injeção: enquanto uns só deixam as peças feias e podem ser ignorados, outros realmente atrapalham a montagem e ficam numas posições bem ruins para serem tirados. Italeri, vamos dar uma olhada nisso, sim?

  • Instruções

    Clareza

A clareza das instruções é razoável, mas não à prova de falhas no manual desse F-16DG-DJ Italeri. Às vezes ocorre de se usar decalques durante a montagem, vide os assentos ejetores que vêm com estêncis específicos(o que é ótimo), mas alguns passos ficam tão poluídos com o monte de peças que devem ser montadas que é fácil passar batido.

A Italeri usa como código visual, um círculo branco com a numeração dentro para indicar o código de peça e um número solto para indicar decalques. Se eu puder sugerir(e vou fazer isso na forma de um email para a Italeri Brasil e para a sede), pedirei para que façam um destaque como o usado pela Airfix, que usa triângulos e círculos pretos para diferenciar melhor os itens que vêm nas caixas.

Outra dica que pode ajudar, seria exibir certas peças já em sua posição final para eliminar ambigüidades(especialmente dos pequenos decalques no final).

 Simplicidade

Os passos de montagem somam mais de 25 etapas mas poderiam ser ainda mais diluídos para deixar a construção mais fluida. Os passos 10 e 11 (montagem dos trens principais) poderiam mostrar perspectivas diferentes para facilitar o entendimento dos encaixes.

Até ver uma foto na web, eu estava boiando no passo 25, onde ele explica como se monta o TER(Triple Ejection Rack). O passo 21, você precisa de fotos de referência, ou do adivinhômetro para saber que suporte no qual o AGM-65 fica conectado engata-se em outro pilone(passo 19) que, esse sim, vai na asa.

 Completude

Nada a declarar contra o kit da Italeri nesse ponto. Você monta até a rebimboca da parafuseta com esse kit e tudo é mostrado. Seria bom citar que o kit precisa de contrapeso no nariz para evitar empinar no caso de algum desavisado/novato passar batido por esse detalhe. Como, em outros kits já existe essa informação (vide o do F-14A da própria Italeri), fica difícil pensar no motivo de sua omissão aqui. Faltou também falar como que se pinta a máscara dos faróis da bequilha para quando o avião taxia em baixas condições de luminosidade.

 Correção

Aí que está: alguns passos poderiam ser invertidos para facilitar o alinhamento final correto das peças como, por exemplo, a montagem da perna do trem frontal: esse é o passo nº8. No manual, a ordem é colar a entrada de ar do motor(ok); o pneu e roda da bequilha(ok); montar a perna e um atuador hidráulico para, então, colocar a trava no lugar.

 

manual p8Só que, se você seguir essas ordens à risca, você cai no mesmo problema que eu: não existe uma forma mecânica de fixar o trem frontal na posição correta(um pino faz falta aqui) e, se virem nas referências, o F-16 tem a bequilha inclinada para frente.

F-16DG-DJComo o manual manda pôr o atuador C9 antes e ele não tem uma posição claramente marcada, é simples errar; por outro lado, se o modelista montar a trava C7, o conjunto todo já fica na posição correta de primeira.

manual p8n

O oitavo passo corrigido

  • Originalidade

    Item raro

Não, não é o caso de um F-16 na 1/48. Só os F-16 biplaces na mesma escala somam opções da Hasegawa, Kinetic, Italeri, Heller e Academy(que, na verdade, são só dois moldes diferentes: Italeri e Hasegawa). Não é um kit difícil de se achar por aí.

Variante rara

O F-16DG-DJ  Italeri equivale aos modelos que começaram a surgir na virada dos anos ’80 para ’90(Block40/42 no caso dos DG e Block52 para os DJ gregos) e o modelo vem sem a coluna dorsal com aviônicos. O grande chamariz desse kit é o trio preço-extras-decalques. Se avaliarmos que os moldes de F-16 de dois lugares somam poucos moldes realmente distintos(Hasegawa e Italeri apenas), então isso lhe dá mais alguns pontos em termos de raridade.

  • Versatilidade

    • Presença de peças para representar outras variantes/versões

As únicas versões representadas no kit são as DG e DJ nas cores gregas, ou americanas. Há algumas peças não usadas e outras que são extras, como as rodas opcionais, indicando serem sobras de outra variante F-16 lançada anteriormente pela Tamiya. Esse kit não é o mesmo do F-16B/D da Italeri(item 848, de 1997).

    • Possibilidade de representar itens de outros países

Embora o kit venha com decalques para dois países apenas, ele é usado por inúmeras outras nações. Uma folha de decalque é o máximo de que precisará para dar ares novos a esse F-16.

  • Possibilidade de representar vários itens de um mesmo país

Mais uma vez, com o jogo certo de decalques, você pode simular inúmeros aviões diferentes.

  • Construção

    • Presença de vãos

Apenas um termo precisa ser exercitado fortemente aqui: dry-run. Embora tenha um quê de Tamiya aqui, não seja tão otimista que esse é daqueles kits que basta balançar a caixa quer ele se monta sozinho. Alguns vãos podem te atormentar, especialmente na montagem da entrada de ar e da caixa de roda da bequilha. Tirando o que se falou antes de trocar a ordem da instrução nº8 para garantir a montagem correta da perna do trem frontal, evite sair do que reza o manual(experiência própria).

Os vãos mais chatos serão os do revestimento do duto de ar para a turbofan entre si e dele para a caixa de roda da frente(passo nº8, sempre ele), a junção das partes anterior e posterior do avião(passo nº4) e entre as partes que compõem os tanques sub-alares(passo nº18). Todos esses vãos têm de ser checados com muito carinho e cuidado(especialmente os dois primeiros) pois se eles se desalinharem, causarão inúmeros problemas mais tarde.

  • Encaixes

As peças se fixam bem umas às outras, à exceção do conjunto composto pelo duto de ar com a caixa de roda principal(passo nº3), do duto+caixa de roda frontal+revestimento externo(passo nº8) e da montagem do trem principal(passos nº10 e 11). Vamos explicar em detalhes.

  • passo 3: tire muito bem os pinos de injeção da peça C48 e, de preciso, abra os 4 buracos quadrados com uma lima até que eles se encaixem perfeitamente aos pinos por dentro do intradorso. Raras são as chances de o encaixe rolar de primeira;

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  • passo 8: abra bem os orifícios pelos quais a antena de IFF (C2) irá passar. Como ela é frágil(se bobear, quebra até na remoção), tenha muito cuidado ao passá-la pelo duto. Seu posicionamento precisa ser perfeito, ou ela pode atrapalhar o encaixe dos revestimentos externos da entrada de ar(I1 eI2);
  • passo 10: aqui é a hora de fazer a baia do trem principal. Os atuadores  das portas (H6 e H7) se encaixam em furos da parede anterior da baia (C46), bem como as pernas do trem(H10) o fazem na outra parede (C50). Dica de amigo? Use uma furadeira manual e aumente o diâmetro dos furos. Faça dry-runs sucessivos até que esteja satisfeito antes de dar primer e pintar. Não ache que os encaixes serão perfeitos, pois você pode quebrar a cara como eu. Use essa metodologia para o encaixe das peças D12(atuadores das pernas do trem principal) com a antepara C49 também. Consertar algo nesse estágio é bem mais complicado; ec37cc4c8-2024-4cbd-80a9-d9fc62a8fd3b
  • passo 11: faça um dry-run na divisória C47, mas já posso até adiantar: lixe bastante as extremidades dela para que se encaixe sem problemas no porão. Se ele não entrar direito, a peça C42 que dá o arremate na “barriga” do jato não ficará alinhada.

 

  • Desníveis

Poucas peças têm um desnível e todas se resolvem com uma boa lixada: C22(intradorso que guarda o gancho de parada); C6, C35, B17(3 painéis cuja existência me é um mistério até o momento) e B19(boca do canhão).

  • Acabamento

    • Decalques

Uma verdadeira miríade deles. Muitos estêncis(há uma página dedicada a eles) e várias artes. Mas a dimensão da faca alada no leme é ligeiramente diferente da do avião real(conferida numa referência do avião real). No mais, nada a reclamar. Aplicação fácil e zero de silvering. Apenas reitero de que gostaria que a posição final de muitos decalques fosse mostrada nas instruções para eliminar ambigüidades. Especialmente quando a gente não tiver fotos de referências coloridas.

  • Esquema de pintura

Desde que pus os olhos nesse jato, só havia um esquema a ser pintado: o tricolor grego. Isolar o avião com máscaras flutuantes foi um exercício de paciência, mas o resultado compensou largamente.

  • F-16DG-DJ Italeri: conclusão

figura1Nota final: 7,22

Como a Tamiya não tem um F-16B/D/F nessa escala, só a Hasegawa está no páreo efetivamente. É interessante notar que, apesar da profusão enorme de marcas diferentes, há poucos moldes distintos do Fighting Falcon 1/48 no mercado(Hasegawa, Arii, Italeri, AMT, Tamiya, e alguns outros) e os biplaces são ainda mais escassos, contando apenas com dois moldes Italeri(um deles fortemente influenciado pela Tamiya, sendo copiado por outras empresas) e um da Hasegawa.

O F-16 aqui tratado tem um custo-benefício muito interessante: na Hobbyeasy ele é vendido por 99 reais, enquanto os Hasegawas saem a uma média de R$115,00 e os Kinetic são vendidos na faixa de 150 reais.

Se compararmos os F-16 gregos, temos uma disparidade ainda maior: o da Hasegawa sai por 235 reais! A diferença é que ele vem com CFT e como túnel no dorso característicos dos Block 52+.

Embora tenha um custo-benefício muito atrativo, de forma alguma é um kit para iniciantes: a engenharia não foi pensada para ser a mais simples, ainda que isso o ajude a ter um nível de detalhamento muito melhor também.

Suas 3 maiores falhas(as de engenharia com peças desnecessárias, as de moldagem com brigdes largos demais e as de instruções) precisam ser corrigidas pela Italeri, até porque não são complexas de acertar e podem causar dores de cabeça desnecessárias para o entusiasta, manchando esse que tem tudo para ser “O” kit de F-16 biplaceMas com uma dose de paciência (que o modelista tem que ter), e outra do binômio massa-lixa, dá para chegar num modelo de tirar o fôlego, ainda que montado direto da caixa.

Indicado para todos os fãs de aviação moderna na 1/48 que não tenham medo de gastar um tempo fazendo correções no kit.


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About the Author

Engenheiro de computação formado na UFES e com diversos cursos na área de redes e tráfego de dados, absolutamente louco por carros, aviões, trens, tanques, caminhões, história e estratégia. É o braço técnico da UdK.



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