Kits E-1 Tracer GIIC

Published on agosto 12th, 2015 | by ES1

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Análise UdK: Grumman E-1 Tracer GIIC 1/72

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Primeira Análise UdK! Vamos começar com um kit bem interessante recebido por nós através da GIIC, na pessoa da Sra.Rodrigues.

Antes, um briefing sobre o E-1 Tracer:

A aviação embarcada sempre possuiu necessidades específicas, em relação às aeronaves baseadas em terra, na forma de serem construídas, na autonomia, na questão de hangaragem e na robustez só pra darmos alguns exemplos. A USN(Marinha dos EUA) desenvolveu na IIGM diversos tipos para maximizar o impacto de sua projeção de força sobre forças inimigas, conforme era o Império Japonês àquela época. Uma das grandes necessidades das forças navais Aliadas e do Eixo era a de expandir ao máximo sua capacidade de detectar o inimigo antes de ser detectado, afinal “quem vê antes, atira e mata antes” (ou se esconde mais rápido). A melhor forma de se fazer isso era acoplar os então novíssimos radares em plataformas aéreas, surgindo uma nova gama de aviões: as aeronaves AEW(Airborne Early Warning ou Alerta Aéreo Antecipado).

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Grumman C-1 Trader “Blue Ghost”

Já na Guerra Fria, o adversário da USN era a SF(Marinha da URSS) e os americanos precisavam de uma aeronave AEW que coubesse nos hangares dos porta-aviões tanto da época da IIGM quanto dos mais modernos supercarriers e a escolha recaiu sobre o Grumman C-1 Trader, que é uma aeronave de transporte bimotora à pistão.

Sofrendo diversas adaptações, o C-1 recebeu um radar fixo Hazeltine AN/APS-82 no dorso e duas baias de trabalho para um par de operadores de radar na estação traseira, enquanto os pilotos ficavam na cabine inalterada em relação ao Trader. Com alcance de até 590km, o radar ainda possuía um sistema AMTI que distinguia os aviões da superfície.

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A motorização continuava sendo a mesma do avião base: 2 Wright R-1820 Cyclone radiais de 9 cilindros empurravam o desajeitado bimotor a 430km/h de máxima, com velocidade de cruzeiro de 290km/h. Podendo ficar no ar por até 7h em suas longas missões de vigilância, cada E-1 poderia cobrir uma distância de quase 1900 quilômetros.

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Em 1962, os E-1 Tracer passaram a ser chamados de E-1B segundo as novas regras da Marinha dos EUA.

Na Guerra do Vietnã, os Tracers voaram missões de vigilância e vetorização dos  aviões americanos contra os MiGs do Vietnã do Norte onde operaram até 1973, quando os E-1 saíram de cena das linhas de frente para a entrada dos E-2 Hawkeye.

Apesar disso, 4 E-1B foram mandados para a base North Island onde permaneceriam mais um tempo até serem totalmente desativadas em 1977.

  •  Apresentação

    • Embalagem

caixa

A caixa é de papel e bem frágil, mas eu recebi meu exemplar dentro de uma outra caixa de papelão muito mais resistente, então o kit  sobreviveu ao tratamento vip dos Correios sem problemas.

Na parte externa, a arte que é a foto do modelo pronto e o algumas informações de praxe, como a numeração do kit, etc.

Ao se romper o lacre, uma surpresa boa: mesmo a caixa sendo frágil, há uma substancial capa de material para amortecer impactos, protegendo as peças de resina(que, via de regra, já são mais resistentes que as de plástico dos kits comuns) e as de metal.

caixa-aberta

Logo em seguida, temos as sacolinhas para os vários grupos de peças, o manual e os decalques.

    • Qualidade do plástico/resina/PE

As peças são bem resistentes conforme o esperado de kits de resina. O canopy é de vacuum-form, bem bonito mas exige cuidado redobrado na hora de se fazer o manuseio.

    • Presença de rebarbas, pinos, falhas e marcas em locais visíveis
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Detalhes das asas

Olhando em sites de walkarounds como o Prime Portal, a gente pode começar a ter uma idéia de precisão dos moldes do modelo. Começando pelas partes externas das asas, os detalhes são muito muito bons mesmo, usando alto e baixo relevos(os alto relevos exigem olha mais aguçado, mas estão lá). Mesmo os atuadores são replicados. No exemplar recebido havia uma pequena falha no que eu acretido serem conformadores de fluxo de ar na parte inferior. Mas é fácil corrigir com uma chapa de plástico ou com um enxerto de massa corretiva/putty ou epoxi.

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Motores e as respectivas capotas

Na questão dos motores, as capotas são boas, mas têm umas rebarbas que exigem um certo lixamento nas extremidades

cockpit empenagens fuselagem metal naceles raiz-asa radome rodas ponta de asa

Nenhum problema sério foi encontrado. Para um kit de uma fabricante short-run, é ótimo!

    • Detalhamento

Apesar de ser um avião consideravelmente raro e desconhecido do público em geral, há diversos walkarounds ótimos na internet, ficando muito fácil de se analisar a qualidade da modelagem/gravação da resina. Vamos a um esquemático da aeronave E-1/1B:

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Para complementar, uma foto original do E-1 com o radome bem em evidência:

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Tracer decolando do USS Essex

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Tracer decolando do USS Hornet

Por aqui, vemos que temos duas notícias preocupantes: as naceles e a fuselagem carecem das linhas de detalhamento, ou seja: scribing. Não é uma tarefa impossível, mas não está no top 10 das tarefas que agradam os plastimodelistas. A outra é bem mais preocupante: o formato do radome está errado! E isso só pode ser corrigido com um enxerto ou refazendo-o do zero.

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O radome que vem no kit(superior esquerdo), um esquemático dele extraído de um desenho de tês vistas(superior direito) e uma sobreposição destacando a diferença entre ambos(inferior central)

Claro que você poderá ignorar e mandar bala assim mesmo, mas esses são pontos negativos de qualquer maneira e precisam ser contabilizados também.

    • Presença de peças de difícil remoção

A única peça de remoção mais traiçoeira é a carlinga, conforme dito anteriormente. Mesmo as peças metálicas aparentam facilidade no trabalho e manuseio. Mesmo um modelista com média experiência pode montar tudo com relativa tranquilidade.

  • Instruções

    • Clareza

As instruções em geral são claras, ainda que possam causar algum estranhamento para quem está acostumado aos manuais da Revell, Tamiya, Trumpeter, Dragon, AMT e companhia. Entretanto, ele segue o padrão dos manuais dos fabricantes short-run com as fotos do passo-a-passo da montagem real do modelo.

    • Simplicidade

As instruções não são complexas de entender e seguir. Uma sugestão para facilitar seria numerar as sacolinhas de acordo com a ordem de montagem.

    • Completude

Toda a montagem e o processo de decalcamento é bem demonstrado. Fica a sugestão apenas demonstrar melhor a parte de corte do vacuum-form para fazer a carlinga.

    • Correção

Nada a declarar  sobre erros de ordem de montagem no manual.

  • Originalidade

    • Item raro

O único outro fabricante que eu conheço que fabrica o Grumman E-1, é a francesa Mach2, mas é de plástico short run. Em termos de disponibilidade e custo-benefício, acho mais fácil arrematar a versão em resina que dar os 40 obamas pedidos no e-Bay(sem contar frete e instabilidade do dólar). É possível também achar sets de conversão da RHVP ou da Triple Conversion 4 pro S-2A Tracker da Hasegawa. Então podemos dizer, seguramente, que é um kit muito raro que os fãs da Navy(principalmente os brasileiros) poderão pôr as mãos de forma razoavelmente fácil e em conta!

    • Variante rara

Não há sub-variantes de produção do E-1 além da “Bravo”.

  • Versatilidade

    • Presença de peças para representar outras versões/variantes

Como os E-1/1B constituem apenas um mesmo avião praticamente, não há muito o que discutir uma vez que ele cumpre em representar uma aeronave real da US Navy.

    • Possibilidade de representar miniaturas de vários países

Como os E-1/1B só voaram nas cores da USN, é irrelevante essa análise, uma vez que ele cumpre em representar uma aeronave real da marinha americana.

    • Possibilidade de representar modelos de um mesmo país

O E-1B vem com decalques para duas aeronaves voadas pela USN, dando alguma liberdade de escolha pro modelista.

  • Construção

    • Presença de vãos livres
    • Solidez nos encaixes
    • Desníveis entre peças

Como o kit ainda não foi construído, não posso fazer muito além de especular sobre como a montagem será.

  • Acabamento

    • Decalques

Os decalques vêm numa sacolinha plástica fechada e são bem vistoso. Nenhum erro de impressão foi identificado. Nota 10!

    • Esquema de pintura

O único esquema de pintura é o padrão US Navy de alta visibilidade(light gull gray e insignia white), não tem muito por onde fugir.

Conclusão

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Mesmo contra-indicado para iniciantes e ainda que necessite de um trabalho no radome e um scribing, certamente é um kit que vale à pena ter na estante se você é um modelista que gosta de ter kits diferenciados. Assim que vagar a bancada, o Tracer irá para lá e vocês acompanharão tudo aqui, na Usina dos Kits. Já agradeço de antemão a GIIC na pessoa da Sra. Cristina Rodrigues.

Se você é produtor de kits ou distribuidor e quer ter seu nome e produtos avaliados e divulgados por um dos bastiões do plastimodelismo com maior reconhecimento e taxa de crescimento de fãs/leitores/seguidores no Brasil(e com 20% de usuários só nos EUA), entre em contato conosco no contact@usinadoskits.com.


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About the Author

Engenheiro de computação formado na UFES e com diversos cursos na área de redes e tráfego de dados, absolutamente louco por carros, aviões, trens, tanques, caminhões, história e estratégia. É o braço técnico da UdK.



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