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Published on julho 28th, 2017 | by ES1

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Análise UdK: Tintas Hataka e Wiesel Mk.20 S-Model

  • Histórico

O Wiesel AWC(Armored Weapons Carrier) é uma releitura moderna dos tanquetes muito usados por diversos exércitos do mundo nos anos ’30, como o CV-33 italiano, o T-40 soviético e o TKS polonês.

Sua missão principal é escolta e reconhecimento armado, tendo sido adotado pelo Bundeswehr, com as primeiras unidades fabricadas em 1975 pela Porsche para a Alemanha Ocidental logo despertando o interesse de diversas nações aliadas. O blindado deveria ser ágil, difícil de detectar e com capacidade de prover fogo de apoio para unidades aerotransportadas(ele mesmo deveria ser carregado por aeronaves e até mesmo lançado de pára-quedas sobre o campo de batalha): esse é o Wiesel Gepanzerte Waffen Transporter.

Porsche Wiesel AWC em suas duas versões principais: a 1(esq.) e a 2. Além de um eixo e de um rolete de suporte a mais de cada lado, e chapa frontal ficou mais inclinada e a carroceria está mais alta.

Os  Wiesels(fuinha, em alemão) foram fabricados em dois lotes principais: o “1” foi produzido até 1993 quando foi substituído pelo “2”. A diferença mais marcante entre os dois tipos é que o Wiesel 2 tem 4 rodas de rodagem e 2 roletes de suporte, enquanto o Wiesel 1 tem apenas 3 rodas principais de rodagem e 1 rolete de suporte de cada lado.

O Wiesel 1 tinha 2 tipos de armamentos principais: um canhão Rheinmetall Mk.20 Rh202 de 20mm com alimentação dual ou um lançador de mísseis antitanque Raytheon TOW. A versão Wiesel 2 era maior e, com isso, consideravelmente mais versátil, ganhando uma versão ambulância, radar terra-ar(Ozelot), posto de comando(antiaéreo e de batalhão terrestre), reconhecimento, artilharia móvel(com morteiro de 120mm) e de engenharia.

  • Apresentação

A caixa apresenta uma construção bastante parecida com os kits Revell e alguns Italeris, composta de peça única, mas feita com papel de reciclagem bem mais rígido. No box art (bem simples por sinal), temos um perfil colorido do Wiesel nas cores do Bundeswehr e o distintivo logo da série “1+1”. Sim: cada caixa da S-Model traz dois kits completos em seu interior!

  • Conteúdo da caixa

Eu NUNCA tinha mexido com um kit da S-Model, mas obviamente estava seco atrás de um desde que vi o review da linha deles no site Henk of Holland. Eles vivem numa espécie de limbo obscuro pros lados da Ásia, mas não apenas têm um portfólio interessantíssimo, indo da IIGM até os dia atuais, como disponibilizam modelos raríssimos(o próprio Wiesel só é vendido pela OKB Grigorov por uma quantia astronomicamente alta(30 euros) para o diminuto tamanho do AWC. E só vende 1 por caixa).

Dentro da caixa, surpresa! Dois bags de peças(cada um, para um Wiesel especificamente), manual de montagem totalmente em cores, grade de photo-etcheds e folha de decalques totalmente isolados um do outro! Muitos fabricantes tarimbados e tradicionais realmente deveriam aprender com algumas dessas empresas menores e menos conhecidas.

  • Qualidade do kit

Cada Wiesel vem em um bag dedicado. As peças estão quase todas isentas de rebarbas, sendo a maior dificuldade, a remoção de peças delicadas como o cano do canhão Rheinmetall Rh202(na foto, está no centro interior da foto, abaixo do fundo do casco do AWC)

Presença de Rebarbas

São poucas peças e quase sem problemas nesse sentido em todas elas. Para não dizer que o kit estava totalmente imaculado, havia 1 peça com um pequeno excesso de plástico, que era uma das rodas do rodeio principal, que não estava vazada, o que prejudicaria o encaixe no chassi. De resto, nada a reclamar 

Detalhamento

Como o Wiesel é um AFV pequeno, então é fácil conferir todos os detalhes dele e não achei discrepâncias severas entre a miniatura e o modelo real. Mas como tudo na vida, há um calcanhar de Aquiles: os photo-echeds e decalques. Eles vêm em quantidade menor que o necessário no caso das peças metálicas(faltam puxadores que ficam no capô do blindado) e os decalques não contemplam 2 detalhes importantíssimos: faltam as placas de trânsito e as marcações de unidade militar ao qual o veículo está lotado. Queira Deus que eu ache umas plaquinhas sobrando na caixa de extras…

Outro problema é que o serrote presente nos PEs é grande demais em relação ao modelo real.

Peças de difícil remoção

Sim, diversas peças têm remoção difícil por causa de dois fatores: as diminutas dimensões das mesmas e pelo plástico, que é meio mole no caso de peças mais finas, como o canhão Rh202. O restante, com paciência, uma serrinha e um estilete pode ser facilmente removido e limpo.

  • Instruções

Clareza

Infelizmente, a S-Model derrapa nesse quesito, pois, no 7º passo da montagem, são postas 9 peças de uma tacada só e o processo fica um tanto poluído e confuso. Por via das dúvidas, SEMPRE recorra às referências. O ideal seria quebrar esse estágio de montagem em 2 ou até 3. Mas a S-Model queria economizar papel na hora de imprimir…

Simplicidade

Os passos todos são bem diretos e, por mais que o 7º passo não tenha sido bem bolado, no geral, a montagem corre de forma tranqüila.

Completude

Nada a reclamar nesse ponto.

Correção

Há 2 deslizes nas instruções: quando você monta os puxadores do capô, as instruções indicam a existência de 2 deles na frente do veículo, quando (na verdade) são 3. Há a omissão da montagem da antena de rádio(que nem está presente entre as peças, mas nem por isso deve ser ignorada).

  • Originalidade 

Item Raro

Nesse ponto, é difícil não ganhar nota máxima, pois o Wiesel nessa escala só é vendido pela OKB Grigirov a um preço sensivelmente maior.

Variante rara

O Wiesel por si só é raro. Então qualquer variante já acaba sendo rara por si só. Só que, tanto a OKB Grigorov, quanto a S-Model oferecem a variante 1 com o canhão de 20mm da Rheinmetall, por isso que ele não tira nota máxima nesse quesito(custava pôr as peças para colocar o lançador TOW?).

  • Versatilidade

Presença de peças para representar outras variantes/versões

Infelizmente, só o Wiesel 1 Mk.20 pode ser representado, o que é uma pena.

Possibilidade de representar itens de outros países

Só a Alemanha usa o Wiesel militarmente(os EUA apenas os utilizam como base para implementar unidades de controle remoto).

Possibilidade de representar vários itens de um mesmo país

Como os decalques são totalmente genéricos, é possível montar as viaturas do Bundeswehr operando em solo alemão ou em missões de paz da ONU. Infelizmente a falta de alguns decalques atrapalha na hora de representar uma viatura mais específica.

  • Construção

As diminutas dimensões do Wiesel são evidentes quando posto ao lado de um estilete e de um alfinete.

Presença de vãos

Há poucos vãos para serem preenchidos, notadamente entre as peças que compõem a carroceria. Para essa montagem, usei uma novidade: o putty à base de água da Deluxe, que ganhei de aniversário há algumas semanas. Aplicando com palito de dentes e aparando os excessos com um cotonete umedecido, as poucas e finas falhas foram devidamente preenchidas e eliminadas.

Solidez dos encaixes

O alinhamento dos encaixes dispensa comentários de tão bom e poucos são os itens que devem ser mesmo encaixados, notadamente a torreta na carroceria, o canhão na torreta, as lagartas na carroceria e as rodas na lagarta. Encaixes precisos, sem necessidade de cola!

Algumas peças, no entanto, foram extremamente difíceis de posicionar por duas razões: ou não tinham encaixe físico, ou eram muito pequenas. As peças dos faróis e da sirene(peças A2 e A1, respectivamente) deram certa mão-de-obra para serem posicionadas. Esse kit, definitivamente não é para iniciantes….

Wiesel montado nos principais sub-componentes antes da pintura(lagartas, casco+ torre e culatra+municiadores do Rh202)

Desníveis

Nenhum notado.

  • Pintura: estreando as Hatakas!

As Hatakas também são grandes novidades da Usina dos Kits. Para quem não conhece a marca ainda, são cores fabricadas na Polônia e se destinam diretamente ao hobby.

Elas substituem as tintas da AK Interactive?

Obviamente essa pergunta pode vir à tona em discussões e já foi falada em inúmeros e-mails que recebemos em nossa caixa de entrada. A resposta é um sonoro NÃO.

A linha AK e Hataka não se substituem porque cada uma se dedica a ramos diferentes: enquanto a AK oferece algumas tintas de alta qualidade mais comuns, o forte dela mesmo são os materiais de weathering, pigmentos, literaturas e ferramentas. Já a Hataka trabalha com um sortimento invejável de cores oficiais que deixa fabricantes mais tradicionais a ver navios! Não existe praticamente a necessidade de misturar tons para obter alguma cor, pois os poloneses baseiam-se em padrões oficiais como Federal Standard, RLM, BSC e ANA. Até mesmo cores oficiais soviéticas para a aviação estão disponibilizadas!

Ao contrário da AK Interactive que se foca nas tintas acrílicas, as Hatakas são separadas atualmente em 3 linhas distintas a saber: vermelha, laranja e azul(que são separadas pelo uso e/ou pela sua natureza química).

As Vermelhas e Azuis são solúveis em água como as AK, mas enquanto as vermelhas são voltadas para a aerografia, as azuis são mais espessas, para uso em pincéis. Com mais diluição também podem ser usadas em aerógrafos, mostrando mais versatilidade aparentemente.

Já as tintas da linha Laranja são solúveis em White Spirit/Aguarrás(as famosas enamel) e vêm prontas para o uso no aerógrafo, o que me faz pensar se daqui a pouco a Hataka lançará outra linha enamel com consistência para uso com pincéis.

Não seria melhor ter uma linha acrílica e uma enamel que pudesse ser facilmente usada em aerógrafo ou pincel?

  • Apresentação

Seja Vermelha, laranja ou Azul as tintas Hataka vêm embaladas em caixas de papel bonitas, mas bem mais simples que as da AK, por outro lado, elas mostram os empregos, códigos e descrições de cada tinta no verso. No interior, não há a presença de um suporte de plástico para segurar as tintas(ao contrário dos espanhóis).

Por sua vez, as tintas vêm com uma bolinha em cada frasco para auxiliar a mistura que é vendida por fora pela AK.

Como tudo na vida, trata-se de um perde-e-ganha.

Francamente, as duas são inteiramente equivalentes, tendo o modelista que escolher apenas o produto mais adequado para suas necessidades…

  • Acabamento

Principais subcomponentes prontos para pintura

Esquema de pintura

Para a pintura, foi usado o set HTK-AS67(Modern US Army and USMC AFV Paint Set). Como todo produto da linha vermelha, é composto de tintas acrílicas em ponto para aerógrafo.

Embora seja um set voltado para os blindados americanos, ele contém as cores da OTAN(preto, verde e marrom) também, que caem como uma luva no Wiesel 1!

O primeiro passo foi uma demão de primer Mr.Surfacer 1200 em todos os subconjuntos para buscar eventuais falhas de montagem. Embora seja um primer excepcional em termos de fineza da cobertura, ele é solúvel em acetona, o que significa que o seu período de ativação não é muito longo. Como o kit é pequeno, isso acaba não sendo um problema tão grande(

Após separar os frascos necessários(A125, A152 e A188), começou-se com uma camada geral de NATO Green(A152) por todo o blindado. Como é costume usar baixa pressão(até 20psi) para esse tipo de tinta, tive problemas em usar a priori para fazer a tinta fluir através de um aerógrafo com agulha 0,25mm. Após uma leve diluição(3 partes de tinta para 1 de solvente), a tinta já conseguiu fluir normalmente e a cobertura foi feita seguindo o padrão para tintas acrílicas: camadas finas sucessivas, entremeadas por curtos jatos de ar para secagem completa da camada precedente.

Assim como as AKs, as Hatakas secam numa velocidade bem grande, o que torna todo o processo bem veloz.

O solvente? Nada sofisticado: água pura uma hora e água com isopropanol(3:1) noutra. O desempenho com as duas foi semelhante e bom, com 3 demãos rápidas, o Wiesel e seus subconjuntos estavam totalmente cobertos e prontos para a segunda rodada de cor(preto OTAN).

Nesse momento, era preciso tomar uma decisão: mascarar o diminuto kit ou tentar usar uma tinta voltada para a aerografia com pincel?

Como tudo aqui é um teste, obviamente foi tentada a segunda opção. Dica: não dilua a tinta, senão ela fica com fluidez e consistência de wash! Aplicando diretamente com pincel 000, não houve nenhuma dificuldade em fazer a cobertura das manchas preta e marrom na carroceria e na torre de tiro: melhor ainda, não ficaram quaisquer marcas de pincel(assim como o Lucas Rizzi já havia falado no blog Spruemaster). Fica a dica para os que pintarem com as Hatakas!

As lagartas foram pintadas com Model Master enamel e as rodas foram destacadas com verde OTAN aplicado com pincel. Da mesma maneira foram pintadas as sapatas de borracha da lagarta e as tiras de borracha dos pneus(pintura feita com Mural Color acrílica). 

A pintura foi selada com verniz brilhante AK(1 parte de verniz para 4 de solvente). Em seguida, veio o wash e mais uma demão de verniz para os decalques.

Resultado da pintura: verde aplicado com aerógrafo, conforme reza a RED LINE. Já o preto e o marrom foram postos com pincel(a cobertura ficou muito boa)

Como esse veículo deveria ficar “limpo”, recebeu uma mão de verniz fosco e foi recoberto com filtro(Neutral Grey) para cortar o contraste da camuflagem e auxiliar o wash a reforçar a idéia de profundidade.

Os faróis, lanternas, retrovisores e piscas foram acesos com True Metal Silver e coloridos(de acordo com a necessidade) com verniz vitral Acrilex(somente após a selagem de todo o weathering com verniz fosco). Já o canhão e os trilhos de munição foram pintados com gun metal(apropriado, não?) Metal Cote da Humbrol. Os visores receberam toques de verniz brilhante e c’est fini!

Decalque

Foi falado que a folha de decalque vem incompleta no que tange às placas e unidades militares. Por outro lado, há 4 sets de decalques com as marcas para missões de paz da ONU ou para o Bundeswehr. O filme dos decalques se conforma bem aos vindos e curvas, mas na hora de colocar uma das bandeiras sobre os suportes do capô o Decalsoft Revell precisou ser aplicado diversas vezes. Futuramente, testes com o Decal Adapter da AK serão feitos e os resultados, postados no blog.

  • Conclusão

Nota(Wiesel): 8,5

O Wiesel tem uma qualidade inversamente proporcional às suas microscópicas dimensões e é muito bom ver esses veículos militares modernos recebendo seu devido espaço e reconhecimento. A S-Model(o “S” vem de “sextante”, inclusive presente na logo da empresa) é uma daquelas obscuras montadoras que entrega muito mais do que aparenta. O cuidado com os PEs é impressionante: eles vêm numa embalagem e, dentro, há uma base emborrachada e um papel adesivo para evitar que as pequenas peças voem ao serem cortados de estilete. Embora com poucas peças, esse pequeno veículo certamente está enquadrado como nível 5 de dificuldade. Se não fosse pela falta de alguns PEs e decalques, certamente esse kitizinho teria ganho nota 10!

Nota(Set Hataka):8,1

Já as Hatakas têm fácil manuseio, são versáteis, vêm com misturador e mesmo a mais fina(para aerografia) Red Line pôde ser aplicada no pincel para aplicar a camuflagem sem grandes problemas. Assim como as AKs, elas são inodoras e secam muito rápido! E têm a vantagem de contar com um catálogo vastíssimo de cores e assuntos! Se você usa AK, Vallejo ou Ammo, vai amar as Hatakas também!

Kit e tintas adquiridos por cortesia do meu próprio bolso.


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About the Author

Engenheiro de computação formado na UFES e com diversos cursos na área de redes e tráfego de dados, absolutamente louco por carros, aviões, trens, tanques, caminhões, história e estratégia. É o braço técnico da UdK.



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