Kits

Published on agosto 5th, 2014 | by ES1

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Como nasce um kit?

Todos adoramos conferir as novidades na internet, ir às lojas(sejam online ou físicas) e arrematar aquele kit, não é mesmo? Mas já pararam para pensar em como um kit é fabricado? Como ele chega àquele formato final? Bom, a resposta exata do procedimento varia de empresa para empresa, então vou tentar fazer a descrição mais geral possível, ok?

1-Necessidade

Como sempre, nenhuma empresa acorda um belo dia e decide que vai fazer um determinado assunto, numa determinada escala. Ela acompanha o mercado(tanto o consumidor quanto a concorrência) e busca novas idéias para incrementar o seu catálogo de produtos com algo que seja: novidade; ou produto manjado (mas que tem saída devido à popularidade). Foquemo-nos na primeira alternativa. Uma vez reconhecida a necessidade de novos produtos, a próxima fase naturalmente é escolher qual o tema renderá mais interesse(e, por conseguinte, vendas) num mundo tão acirrado e diverso nas prateleiras. No caso de empresas como Revell e Hasegawa, há um setor de sugestões para que a votação popular decida o que mais lhe convém. É uma estratégia bem preguiçosa prática e gera menos riscos. Mas pode ser que o próprio setor de criação escolha qual rumo tomar. Seja baseado na filosofia da empresa, localização da ou num vácuo do mercado, a fábrica acaba escolhendo o que mais lhe dará possibilidade de retorno.

2-Pesquisa

Pesquisando as dimensões e detalhes de um modelo real…

Definida a necessidade e escolhido o assunto a ser tratado(tanto o tipo quanto a escala), é hora de pesquisar. Nesse momento, os especialistas dos fabricantes viajam o mundo todo atrás de exemplares daquilo que desejam reproduzir, ou caçam as plantas pelas as quais possam se basear. Aqui entra uma primeira possível falha no futuro kit: só através de muita pesquisa e sorte que se pode chegar ao modelo 100% original. É muito comum uma ou várias pequenas alterações de serem aplicadas e, se não forem notadas, podem matar a autenticidade de determinada réplica por fugirem dos padrões de alguma forma. Para carros, é muito importante a fase de pesquisa para “separar o joio do trigo” em horas de se achar referências de veículos totalmente originais nesse mundo onde a customização é quase uma palavra de ordem. Após inúmeras fotos de diversos detalhes, eles são levados de volta ao QG da empresa, onde serão entregues aos projetistas.

3-Desenvolvimento

O desenvolvimento de um kit baseado nas fotos, plantas e demais referências é então iniciado quando elas serão passadas para modelos reais esculpidos ou quando são criados em ferramentas no estilo CAD(Desenho Assistido por Computador). Os engenheiros de plantão passam para a divisão do modelo em suas peças menores e começam a estudar o processo de montagem, de maneira que ela fique mais fácil e direta.

4-Prototipagem

Millenium Falcon: o protótipo(esq) e o modelo pantografado na escala final (dir)

Até agora, tudo o que se tem são idéias e modelos de computador. Chega o momento em que finalmente o modelo final será construído fisicamente. Antigamente(e nas empresas mais simples), miniaturas em argila, madeira ou plástico eram feitas das peças principais numa escala grande (1/18, 1/10, 1/24…) e um pantógrafo era usado para copiar tais peças numa escala inferior(e que seria comercializada). Assim, chegava-se às peças diminutas em escala 1/72, 1/100, 1/1250 e por aí vai. Elas são então organizadas e arranjadas de forma a gerarem um molde da árvore(ou sprue, se preferirem). Já nas fábricas mais modernas, uma vez feito o projeto no computador, uma impressora 3D é usada para criar as árvores diretamente na escala desejada, não havendo necessidade de pantógrafos, nem de se organizar peças ou algo do tipo, sendo um processo muito mais rápido e menos dispendioso ao longo do tempo. Enquanto a maioria das grandes empresas migrou pro segundo método, a forma mais primitiva ainda é a favorita de empresas menores, especialmente que mexem com produtos em resina. Como a produção é artesanal e limitada, acaba saindo mais cara também.

Prontas todas as árvores, faltam os decalques e o manual, certo?

As imagens e textos que adornam uma miniatura vêm do setor de artes que usam programas como GIMP, Corel Draw e afins para criarem as artes de aviões, tanques, navios e carros. Os decalques com letras(ou fundo branco) são impressos em papel para decalque branco sendo, em seguida, recortados e postos sobre filme transparente e selados apropriadamente.

Os de fundo transparente são simplesmente impressos e selados (vale um post mais pra frente sobre como fazer decalques caseiros).

Com tantas peças, é bom ter um guia para auxiliar não só na junção delas, mas na parte das cores e da decoração adequada da miniatura. Esse manual é feito de maneira didática e direta(embora nem sempre eles sejam 100% corretos) para a conclusão da montagem o mais rapidamente possível. Entretanto, quase sempre as ordens acabam levando os modelistas a situações do tipo em que não se pode pintar algumas áreas depois de se montar outras. Por isso que sempre repito: manuais são fontes de referência. Não os trate como ordens que devem ser seguidos à risca!

Os passos para a montagem de um Mustang B/C. Apesar de haver vários modelos do mesmo assunto, cada empresa projeta os seus kits de forma independente(excluídos os reboxes), razão pela qual quase nunca dois modelos iguais montam da mesma forma.

Muitos modelistas mesmo acabam subvertendo completamente a ordem da sequência de passos indicada. Teoricamente, quando se fabricam os manuais, todas essas questões de ordem prática já deveriam ter sido corrigidas, mas enfim.

Decalques, peças e manual prontos, é hora do testador entrar em ação. Sim, esse profissional é pago para passar o dia se divertindo ficar montando os kits e testar os encaixes! Se o kit passar no crivo dele, então é dado sinal verde para a produção. Caso contrário, o erro é plotado e as partes defeituosas devem ser corrigidas.

Se temos as peças, decalques e manual pronto, o pessoal de artes é posto para trabalhar de novo, fazendo a arte da caixa que pode ser desde uma pintura, até uma foto.

Nossa…Bateu uma vontade de montar um T-72!

Conforme vimos, o processo de criação de um kit não é simples, nem barato, e muito mesmo livre de problemas. Todos os erros que tanto nos fazem espezinhar os fabricantes advém dessas fases de concepção. Muitas vezes o erro nem pode ser considerado culpa da fábrica, como o caso de um FW-190 que foi copiado rigorosamente de um museu famosíssimo e que trazia um problema consigo: o FW do museu não era totalmente original, tendo peças adicionadas de outras versões, transformando o modelo numa hibridação!

Agora, quando pegar a próxima caixa de kit, lembre-se da imensa quantidade de profissionais que puseram seu empenho para que nós pudéssemos ter uma ótima experiência com o hobby.

Na pior das hipóteses,tenha as informações desse post em mente para saber quem você deve xingar, se arrematar uma goiaba.

Fonte

Modern Marvels S9-E25, posto no ar em 20/06/2002, pelo canal History Channel


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About the Author

Engenheiro de computação formado na UFES e com diversos cursos na área de redes e tráfego de dados, absolutamente louco por carros, aviões, trens, tanques, caminhões, história e estratégia. É o braço técnico da UdK.



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