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Published on outubro 29th, 2015 | by Carlos Emilio

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F-16C Block-50/52, o cavalo de batalha do Ocidente.

F-16C - Warfare Blog & Usina dos Kits

FICHA TÉCNICA

Velocidade máxima: Mach 2.
Velocidade de cruzeiro: Mach 0,9.
Razão de subida: 15240 m/min.
Potência/peso: 1,10 (só com combustível interno e desarmado).
Carga de asa: 88 lb/ft².
Fator de carga: 9 Gs.
Taxa de giro: 28º/s.
Razão de rolamento: 270º/s.
Teto de serviço: 15240 m.
Raio de ação/ alcance: 550 km sem reabastecimento aéreo/ 4220 km (máximo).
Alcance do radar Northrop-Grumman AN/APG-68(V)9:  105 Km (alvo de 5 m² de RCS).
Motorização: Um turbofan General Electric F-110 GE-129 com 13160 kgf de empuxo máximo ou Pratt & Whitney F-100-PW-229 com 12940 kgf.
DIMENSÕES
Comprimento: 15,03 m
Envergadura: 10 m
Altura: 5,9 m
Peso: 11960 kg (só com o combustível interno que é de 3105 kg).
ARMAMENTO
Capacidade total: 7700 kg de carga externa divididos por 11 pontos fixos entre asas e fuselagem.
Ar-Ar: AIM-120 AMRAAM, AIM-9L/M/X Sidewinder, Iris-T, Python 4 e 5, A-Darter, AIM-132 ASRAAM, Míssil Derby, MICA.
Orgânico: canhão General Electric M-61A1 Vulcan de 20 mm com 511 munições.
Ar-Terra: AGM-65 Maverick, Bombas guiadas a laser da família Paveway (GBU-10, 12,16,24 e 27), Bomba dispensadora de submunições(cluster) CBU-87,  Bombas da família JDAM guiadas por GPS (GBU-31, 32, 38), Mísseis AGM-154 JSOW, Bombas de queda livre da série MK-80.

DESCRIÇÃO

Por Carlos E.S Junior
O F-16 já entrou para a história no mundo da aviação militar mundial com um marco da mudança de postura dos projetistas de caças. Esse caça foi desenvolvido no começo dos anos 70 pela General Dynamics para concorrer no programa LWF (Light Weight Fighter, ou cala leve) contra o então Northrop YF-17 Cobra, que depois de aperfeiçoado se tornaria o F/A-18 que conhecemos hoje. A ideia foi ter um mix de caças leves complementando os caças pesados e mais caros como o F-15 Eagle. O YF-16 foi declarado vencedor dessa concorrência em janeiro de 1975 e se mostrava uma aeronave bem leve, preparada para combate aéreo de curto alcance em céus limpos e capacidade de ataque básica. Porém com o passar dos anos inúmeros aperfeiçoamentos foram incorporados a esse caça tornando-o mais caro e mais capaz também. Embora oficialmente exista a informação que esse caça nunca foi derrubado em combates ar-ar reais, outras informações dão conta de que um F-16 turco já sucumbiu em um combate frente a um Mirage 2000 Grego e pelo menos seis F-16A israelenses foram derrubados por caças MiG-23 sírios. A partir de 1993, a General-Dynamics passou a responsabilidade de manter e dar upgrades no Falcon para a Lockheed-Martin.
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Acima: O protótipo do F-16, chamado de YF-16 era um caça extremamente mais leve e simples que o atual caça multifunção F-16C.

O F-16 desempenhou muito bem suas tarefas durante as guerras em que foi usado, mas o tempo passou e novas ameaças foram aparecendo, colocando sua capacidade de combate e mesmo a de sobrevivência em cheque. Muitas versões foram sendo produzidas e a cada uma delas era classificada por um block(bloco ou lote), por exemplo: block 10, block 15, block 20… e assim por diante. O modelo original F-16A foi atualizado até o block 20. Os modelos posteriores já deram uma nova versão que foi chamada de F-16C cujas capacidades já davam o tom das novas atividades que seriam exercidas por este fantástico caça leve. O F-16C já tinha uma capacidade multimissão consideravelmente superior à do A. Porém, novos blocks foram sendo desenvolvidos para o F-16C também, chegando à atual  variante, conhecida como F-16C Block 50/52+ (Plus), que representa a mais sofisticada versão do C. Esta é a versão que será foco desta matéria a partir de agora.
Uma das mudanças que chamaram a atenção no modelo Block 52, foi a possibilidade de instalação de tanques conformais (CFT) com capacidade de 1400 kg de combustível extra sob a extensão do bordo de ataque (LERX) da aeronave, perto da base das asas elevando o alcance do F-16 em cerca de 40% dependendo da configuração de cargas externas.
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Acima: Nesta foto podemos ver 3 F-16C Block 52+ com seus tanques de combustível conformais CFT montado sob a LERX e raiz das asas. esses dispositivos permitem um aumento da autonomia em cerca de 40 % e ainda libera as asas para mais armamentos.

O radar instalado no F-16C block 50/52 também foi mudado para que a aeronave conseguisse cumprir os novos desafios que se esperava dele. O radar que foi instalado foi o AN/APG-68(V)9 que possui um alcance de 105 Km contra um alvo com 5m² de RCS (um MiG-29, por exemplo) o que representa 30% mais alcance que a versão anterior AN/APG 68(V)2. Outro importante incremento na capacidade do Falcon Block 50 foi a integração do capacete JHMCS que permite ao piloto receber as informações de navegação e de combate direto na viseira do capacete podendo, inclusive, ser operado integrado com o míssil AIM-9X Sidewinder, apontando o míssil com o movimento da cabeça para o alvo e assim poder disparar contra inimigos mesmo fora da linha de visada do caça. Esta capacidade, desenvolvida inicialmente pelos russos para operação de seus caças MiG-29 e Su-27 está plenamente desenvolvida e operacional nos Block 50/52 o que lhe dá a possibilidade de vencer aeronaves mais manobráveis em combate aéreo de curto alcance.

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Acima:  O avançado capacete JHMCS usado nos F-16C Block 50/52 permite uma  alta letalidade em combate aproximado quando em uso junto do míssil AIM-9X Sidewinder.

O F-16 está integrado a diversos tipos de casulos designadores de alvos como o Lockheed-Martin Sniper XR, também conhecido como AN/AAQ-33 composto por um avançado FLIR(detector frontal infra-vermelho) de alta resolução, um sistema CCD-TV para produção de imagens de alta resolução de TV e um iluminador laser que permite guiar armas como bombas inteligentes a distâncias elevadas, garantindo um bom nível de operação stand-off (fora do alcance das defesas inimigas). Outros sistemas similares como o LANTIRN que usa dois pods para executar a tarefa de navegação através de um FLIR e de designação de alvos com um iluminador a laser em um casulo separado que, embora inferior ao sistema Sniper, também proporciona maior segurança em voo em condições noturnas e com clima adverso. Outra opção é o sistema israelense Elbit Litening agrega as mesmas capacidades do Sniper. O Brasil usa esse ultimo sistema em seus aviões de combate A-1 AMX.
O F-16C Block 50/52 possui, também um sistema de contra medidas eletrônicas que é composta por um sistema de alerta de radar (RWR) modelo AN/ALR-56M que informa o piloto quando um radar inimigo estiver rastreando o seu caça. Este sistema opera integrado a lançadores de iscas  Flares e Chaffs ALE 40 e ALE-47 que são dispensados de acordo com a identificação da ameaça para despistar mísseis guiados por calor ou por radar, respectivamente.
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Acima: O cockpit do F-16C já mostra o peso de sua idade. Porém ainda é considerado uma aeronave relativamente simples de pilotar.

O F-16C Block 50/52 pode receber dois modelos de motores, o que dá uma maior flexibilidade para agradar aos clientes. O primeiro motor é um General Electric F-110 GE-129 com 13160 kgf instalado nos F-16C Block 50, enquanto a opção é um Pratt & Whitney F-100-PW-229 foi instalado nos modelos Block 52. Este motor produz uma potência máxima, com pós-queimadores de 12940 kgf de força. A relação empuxo-peso da versão Block 50 com o motor GE F-110 chega a 1,10, o que supera a grande maioria dos caças de todo o mundo. Com isso, o F-16 e mostra um verdadeiro “dragster” em termos de aceleração, e sua estabilidade relaxada, controlada por um sistema FBW (Fly By Wire) quadruplamente redundante para garantir a segurança de voo em caso de perda de um ou até de 3 sistemas por danos de combate ou por falha, garantindo ao usuário, segurança operacional. O F-16C consegue puxar 9 Gs em curvas sustentadas e um desempenho de curva com uma taxa de giro instantânea máxima de 28º/seg. Embora esses números não representem o melhor desempenho da atualidade, certamente é superior ao do F-15 e do F/A-18 e só foi superado pelo muito mais capaz F-22 Raptor, um caça de 5º  geração. Até o sucessor natural do F-16, o F-35 (em conturbado desenvolvimento) não consegue igualar a taxa de giro instantâneo do F-16 segundo informações passadas por pilotos de testes da Lockheed, seu fabricante. Cabe observar por último, que todos os caças delta canards europeus de 4º geração, incluindo o JAS-39E Gripen NG recém adquirido pelo Brasil superam esse desempenho de curva com folga.

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Acima: O F-16 continua sendo uma referência de voo em combates aéreos, mesmo considerando que seus números já foram superados pela nova geração de caças europeus e russos. Certamente que ele seria um adversário duro em uma batalha aérea.

O armamento que pode ser instalado em um F-16C Block 52 é tão amplo, que o assunto mereceria uma matéria a parte. Aqui vou enumerar apenas as principais armas que ele leva. Como a grande maioria dos caças norte-americanos modernos, o F-16C usa um canhão interno General Electric M-61A1 Vulcan tipo Gatling com 6 canos rotativos de 20 mm com uma cadência de 6600 tiros por minuto. Para combate ar-ar, o F-16C opera o míssil de curto alcance AIM-9M Sidewinder, guiado por infravermelho. A versão mais avançada deste míssil, o AIM-9X, com capacidade de engajamento fora da linha de visada do piloto ou “off -boresight” de 90º, onde a cabeça de busca do míssil segue o olhar do piloto através do capacete JHMCS, representando o estado-da-arte em mísseis de curto alcance disponível para o F-16C, com alcance podendo chegar a 22 km. Para combate além do alcance visual, o armamento mais usado é o míssil de médio alcance AIM-120C-5 AMRAAM guiado por radar ativo e capaz de atacar um alvo distante 105 km. O F-16 pode ainda receber armamento de outras nacionalidades como o míssil europeu de curto alcance IRIS-T (similar ao AIM-9X em capacidade de engajamento off-boresight) ou o míssil de médio alcance francês Matra MICA, guiado por radar ativo e com desempenho de alcance de cerca de 50 km.
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Acima: Um F-16 durante o reabastecimento em voo durante uma missão no Oriente Medio. Notem sua configuração de armas para missão de patrulha aérea de combate CAP com dois mísseis de médio alcance AIM-120 na ponta das asas e um míssil de curto alcance AIM-9M na asa esquerda.

Para missões ar-superfície, o F-16C pode ser armado mísseis AGM-65 Maverick para destruir alvos reforçados móveis como um carro de combate ou fixos como um hangar reforçado de concreto. O Maverick foi produzido em muitas versões que podem ser guiadas por infravermelho (IR), sistema eletroóptico (TV), ou a laser e seu alcance chega a 22 km.

O míssil de cruzeiro de longo alcance AGM-158 JASSM guiado por GPS e com alcance que varia de 370 km (versão  normal) a 1000 km (versão ER – alcance estendido), também faz parte do arsenal do Falcon. Este míssil permite atacar alvos bem defendidos longe das defesa antiaéreas, dando uma boa segurança ao F-16C. Para missão de supressão de defesa antiaérea, uma das mais importante levadas a cabo pelo F-16, o míssil anti-radar AGM-88 HARM que opera no modo home on jam (seguindo as emissões dos radares e sinais inimigos) é usado. O HARM pode ser lançado contra um radar que esteja localizado a uma distancia máxima de 150 km. Se o radar inimigo parar de emitir, o míssil, automaticamente seguirá o curso da ultima emissão.
A variedade de bombas que podem ser lançadas pelo Falcon começa nas bombas “burras” da família Mk, passando pelas guiadas a laser da família Paveway, que foram muito usadas nos bombardeiros no Iraque, Iugoslávia e Afeganistão. Porém, a grande melhoria na família F-16 que a versão Block 50/52 recebeu foi a integração de novos sistemas para permitir a incorporação de armas guiadas por GPS como as bombas da família JDAM, JSOW e as novíssimas e avançadas bombas GBU-39 SDB, cuja precisão é tamanha, que elas podem operar com ogivas extremamente pequenas ainda assim garantindo que o alvo será destruído em um só impacto direto. Por último, embora pouco usual, os F-16C podem lançar mísseis anti-navio como o AGM-84 Harpoon guiados por radar ativo e com alcance de 120 km. O míssil AGM-119MK-3 Penguin de fabricação norueguesa, também faz parte do arsenal do Falcon. Este míssil tem alcance de 55 km e sua guiagem se dá por buscador Infravermelho IR. O F-16 poderia usar armas nucleares como as bombas atômicas B-61 com 340 kilotons de potência e a B-83 com potência de 1,2 megatons caso fosse necessário.
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Acima: Uma das mais importantes missões levado a cabo pelos F-16C durante a campanha Desert Storm, no Iraque em 1991 foi a supressão de defesas antiaéreas. Este F-16C mostrado na foto apresenta o míssil anti radar AGM-88 HARM instalado perto do tanque externo.

O F-16C Block-50/52 é o segundo caça mas avançado da família F-16 cujo projeto já tem  mais de 40 anos. Claro que os primeiros F-16 não chegam aos pés do que este pequeno caça leve se tornou depois de suas inúmeras modernizações, o que lhe permitiu se manter como um vetor válido mesmo no começo do século XXI e deverá se manter em operação em muitos países até, pelo menos, 2030. Os países que usam esta versão do Falcon hoje são os Estados Unidos, Chile, Grécia, Turquia, Marrocos, Egito, Iraque, Omã,  Polônia, Paquistão, Coréia do Sul e Israel. Vale lembrar que outras versões do F-16 são usados por muitos outros países, principalmente europeus, membros da OTAN.
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Acima: A Polônia é um importante operador europeu do F-16C Block 50/52. Nesta foto podemos ver um modelo C e um D ao fundo, equipado com os tanques CFTs.

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About the Author

Me chamo Carlos Emilio. Sou graduado em Gestão de Recursos Humanos e como hobby faço pesquisas sobre sistemas de armas para produção de artigos no site WARFARE. Minha experiência vem do antigo blog Campo de Batalha que eu publicava, mas que foi extinto por problemas com Google. Atualmente publico matérias novas junto com antigas, porém revisadas, e conto com a colaboração de um time de colaboradores que também escrevem artigos para o WARFARE.



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