Ferramentas Lifecolor

Published on maio 31st, 2019 | by ES1

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Análise UdK: Destróier Murakumo DD-118 Pit-Road 1/700 e Tintas Life Color

Histórico

JDS Natsugumo(DD-117) com sua configuração inicial

Após a IIGM, o Japão tornou-se um dos maiores parceiros dos EUA no contexto da Guerra Fria. Sua pujante indústria logo o alavancou a fornecedor global de tecnologias de ponta. Somando-se isso à sua tradição militar, apareceram inúmeras soluções domésticas de defesa. Pensados como uma plataforma ASW para operar drones, a classe Minegumo foi lançada com uma motorização diesel, pesado armamento anti-submarino, uma plataforma de pouso e um hangar à ré da belonave.

Drone QH-50 carregando um par de torpedos Mk.46

O QH-50 DASH, merece um parágrafo à parte: trata-se de um drone-helicóptero produzido para a US Navy pela Gyrodine. Tratava-se de uma aeronave com alcance de 45km e capacidade de vigilância e ataque com torpedos(cada DASH podia carregar duas dessas armas). Começando a ser recebidos pelos japoneses em 1965, o QH-50 fez um sucesso enorme na JMSDF(algo que não conseguiu nas mãos da US Navy). Como os americanos não viam com bons olhos os DASHes, ele foram aposentados nos anos ’70, forçando a JMSDF a repensar o uso tático do seus destróieres criados para operar tais aeronaves(classes Takatsuki – 4 navios e classe Minegumo – 3 navios).

Voltando às embarcações, os 3 Minegumos foram criados para a defesa costeira do Japão contra submarinos soviéticos e chineses, para tal, seu armamento era um dos mais pesados para essa missão à época: 2 lançadores triplos de torpedos Mk.32(324mm), um lançador quádruplo Bofors de morteiros anti-submarino(à vante da ponte de comando) e um reparo duplo de Mk.33 76,2mm na proa. Inicialmente, os Minegumos vinham com um hangar dotado de um reparo duplo Mk.33 de 76,2mm em seu teto e um convôo para operação do DASH. Após sua desativação em 1977, a super-estrutura do hangar foi alterada e o reparo duplo for trocado por um reparo simples com um canhão Oto-Melara Mk.75. Já o convôo recebeu um lançador óctuplo ASROC Honeywell RUR-5. Em termos de sensores, cada Minegumo saía do estaleiro com: radar aéreo Melco OPS-11B-Y, radar de superfície JRC OPS-17, diretor de tiro SPG-34, sonar fixo Sangamo OQS-3 e sonar rebocável AN/SQS-35(j).

JDS Minegumo DD-116 pouco tempo após ser lançado ao mar

Com a saída de operação dos drones e a chegada de novos modelos de destróieres com capacidade de operação de helicópteros SH-3J e SH-60J, a importância dos Minegumos foi caindo(ainda que eles tenham sido usados por muitos anos como as nau-capitânias das esquadras de superfície). Após modernizações nos anos ’90, os navios da classe(Murakumo, Natsugumo e Minegumo) foram convertidos em embarcações de treinamento, sendo usados até 2000.

Apresentação Destróier Murakumo DD-118 Pit-Road 1/700

JDS Murakumo DD-118

Quem monta embarcação, fala muito bem dessa marca japonesa. Eu, francamente, fiquei curioso e quando tive a oportunidade, agarrei o kit SP-3 1/700. A história desse molde começou nos anos ’90, quando a PitRoad lançou o Minegumo DD-116(navio líder da classe como kit Nr-J5). Desde então, ele só trocou de decalques para representar o Murakumo e ganhou uma caixa nova em 2013 e voltou a representar o Minegumo.

A caixa(comum, de abertura lateral, como as da Revell) traz uma foto da embarcação com sua configuração final(ASROC traseiro, nova superestrutura de ré e reparo para arma simples 76,2mm). Nas laterais, dados da embarcação e do kit, mostrando que vêm o drone QH-50 DASH, um Sea King e um Seahawk.

No verso da caixa, informações de pintura da embarcação, com perfis coloridos.

Conteúdo da caixa

Dentro, temos um pacote principal com as peças de plástico, divididas em 2 grades, mais uma sacola com os decalques para a embarcação e as aeronaves. Junto, o manual de instruções de uma única página.

Árvore A: mastros, super-estruturas, casco, salva-vidas

Árvore B: armas, sensores, QH-50, SH-3 e SH-60

Qualidade do plástico

  • Presença de rebarbas

Para um molde de quase 30 anos, há pouquíssimas rebarbas visíveis, apenas presentes em alguns mastros. O que vai se ver com uma freqüência um pouco maior serão as linhas de junção de molde, que são tênues, o que exige atenção para que não se deixe nenhuma passar batido.

  • Detalhamento

Pegando fotos do navio, nota-se grande meticulosidade no que tange aos detalhes, então não há nada para se criticar nesse ponto.

  • Peças de difícil remoção

Como qualquer kit de navio, há sempre aquelas pecinhas mais chatas de remover, como os mastros. 

Instruções

  • Clareza

Primeira parte: apresentação do navio, cores usadas, códigos visuais e montagem das armas

Eis o grande calcanhar de Aquiles do kit: a Pit Road resolveu fazer um manual muito resumido(ênfase no muito) e, como boa parte está escrito em japonês, exige-se muita atenção do modelista em cada mínimo passo.

  • Simplicidade

Segunda parte: montagem do navio e pintura

Conforme dito em cima, as instruções ficaram muito poluídas ao se compactar excessivamente os passos, o que pode complicar a vida de um modelista que não as estude com atenção.

  • Completude

Nisso, não há o que se falar.

  • Correção

Também não se pode falar nada nesse ponto.

Originalidade

  • Item raro

Só a Pit-Road faz esses destróieres da JMSDF em escala 1/700. A alternativa é o da Nichimo na 1/200. Então pode-se dizer que se trata de um kit raro.

Versatilidade

  • Presença de peças para representar outras variantes/versões

Nesse ponto, o kit SP-3 brilha! Há muitas peças que permitirão reproduzir o navio desde seu comissionamento em 1969 até os anos ’90(quando sofreu sua última modernização antes de virar navio-escola).

  • Possibilidade de representar itens de outros países

Como só o Japão o operou, não é cabível.

  • Possibilidade de representar vários itens de um mesmo país

Os decalques permitem apenas a reprodução de um navio, o que é uma pena, pois seria um esforço ínfimo da Pit-Road de aumentar a já grande versatilidade desse kit.

Construção

  • Presença de vãos

A construção se dá com grande tranquilidade(uma marca dos kits Made in Japan). Dá pra contar nos dedos de uma das mãos quantas vezes foi preciso usar putty nesse navio: 2 pontos no casco, 2 em áreas na super-estrutura na qual fica a ponte de comando. O resto encaixou à perfeição.

  • Solidez dos encaixes

Há poucos pinos de encaixe para travar as peças. Mas mesmo assim, a maioria das peças pode ser alinhada e colada sem muito esforço. Uma observação deve ser feita aqui: a base do casco tem uma área de encaixe retangular para uma barra de metal(cujo objetivo é dar rigidez longitudinal ao conjunto, uma vez pronto, impedindo a peça de fletir/empenar com o tempo). Como o kit não trouxe essa barrinha estrutural, fiz um arranjo com dois segmentos de barra de solda automotiva unidos com epóxi. De bônus, a sensação de peso para manusear a peça ficou melhor.

  • Desníveis

Nenhum notado.

A montagem é feita na seguinte ordem(não é a mesma das instruções, mas foi melhor pra mim):

  1. super-estrutura de comando;
  2. chaminé;
  3. estrutura de ré;
  4. casco;
  5. mastros; e
  6. armas, sensores e detalhes finais.

Acabamento

  • Decalque

Esse kit foi fabricado sabe-se Deus quando(algum ponto entre o fim dos anos ’90 e 2013). Então eles estavam meio amarelados(algo corrigido após os expor ao sol). Eles não grudaram no papel, estavam finos e reagiram bem ao solvente de decalques da Revell. A impressão dos decalques também é irrepreensível.

  • Esquema de pintura

A pintura é em praticamente dois tons de cinza(um pro convés/deque e outro pro resto da embarcação) e preto para a linha de flutuação. No mais, a diretora de tiro para o Oto-Melara é branca e ele é cinza claro.

Deve-se notar que esse projeto foi escolhido para que eu começasse a aprender mais uma competência no modelismo: o uso de photo-etcheds para os guarda-corpos(os chamados railings).

Apresentação Tintas Lifecolor

A Astromodel é uma empresa que opera no nicho do plastimodelismo desde fins dos anos ’70, tornando-se, anos depois, distribuidora na Itália e representante de diversas marcas naquele mercado. Lá pelos anos ’90, resolveu se aventurar no campo das tintas acrílicas para plastimodelismo e hoje conta com mais de 20 anos de expertise na linha Lifecolor.

Apresentação

As caixas de tinta da Lifecolor são extremamente vistosas, lembrando as da AK e Meng. Assim como as tintas espanholas, as italianas também vêm com 6 frascos por caixa, sendo temáticas

A frente da caixa, em vez de trazer uma arte ou pintura, mostra um modelo(nesse caso, de ninguém menos, que o do naval grego, Kostas Katseas). O trabalho de pesquisa e desenvolvimento desse conjunto específico foi feito em parceria com Bernd Villhauer.

No verso, instruções e recomendações em 4 idiomas distintos: inglês, francês, italiano e alemão. Ao lado, temos chips com as cores emuladas, seu código e os nomes(também consta na frente da caixa, no cando superior).

Ao se abrir a caixa(fechada por dois dentes que podem causar rasgos com uma certa facilidade), temos 6 frascos de tinta sem gotejadores(ao contrário da AK, Meng e Hataka); em vez disso, elas vêm em frascos com tampas de rosca(semelhantes às da Tamiya, Real Colors e Mr.Hobby).

Instruções

As únicas instruções disponíveis são as constantes sobre o uso genérico de diluente da Lifecolor, tempo de secagem, etc… Mas as cores em si não contam com nenhuma explicação sobre quando e onde devem ser usadas(ao contrário das AK e Hataka).

Originalidade

Conforme falei nessa matéria, só a Lifecolor e a Mr.Hobby têm cores para as cores usadas na Marinha do Japão desde a IIGM(até onde consegui pesquisar). Então, é realmente algo raro, o que é incrível, já que a maioria das fabricantes de kits do Japão lança miniaturas de navios daquele país(o que é um volume nada desprezível).

Versatilidade

  • Possibilidade de representar itens de outros países

Embarcações japonesas capturadas(ou usadas como espólio de guerra) podem ser representadas sem grandes dificuldades com esse set de tintas.

  • Possibilidade de representar vários itens de um mesmo país

Basicamente, a Marinha Imperial japonesa espalhava a construção de suas embarcações por inúmeros arsenais do governo(Sasebo, Kure, Maizuru e Yokosuka) além de subcontratar empresas privadas(Kawasaki, Mitsubishi e outras…). Cada estaleiro pintava seus navios com tons específicos que funcionavam como autênticas assinaturas personalizadas. O que é interessante é que as cores não sofreram modificações desde os tempos da Marinha Imperial, apenas padronizando para um cinza, em vez de 4.

Pintura

  • Cheiro

Eu tenho rinite alérgica e há idosos em minha casa. Assim sendo, não posso dar mole de usar produtos com cheiro forte(e nem de não usar EPI). Mas, assim como as AKs e Hatakas, as Lifecolor são inodoras, não causando problemas com os demais moradores.

  • Capacidade de ser diluída em solvente caseiro

Eu não uso solvente de marca ainda, valendo-me de uma solução caseira de água e isopropanol(50/50). A tinta se dilui bem tanto nessa mistura, quanto em água comum pura. Até o diluente Acrilex com retardante trabalhou bem com a tinta italiana!

  • Cobertura

Após duas ou três demãos bem finas, a cor fica bem visível na superfície. Quem estiver acostumado com AK, Vallejo, Hataka e Ammo não sentirá nenhuma dificuldade no uso das Lifecolor.

Uso

  • Com aerógrafo

Montar navios é certeza de que sempre se usarão tintas no aerógrafo e no pincel, então pude testar o uso das Lifecolor com ambas ferramentas. Elas não causaram entupimentos e tiveram uma ótima cobertura ao serem aplicadas com meu velho SW-130K a 15psi. Assim foi pintado o convés principal(UA645, melhor correspondência para o Cleated Deck Color usado nos conveses e deques das embarcações da JMSDF) e o casco(UA644, melhor correspondência para o Grey Nº5 dos navios japoneses atuais).

  • Com pincel

O convés de um navio é cheio de detalhes que demandam pintura com pincel, isso, quando não são os próprios deques que demandam pintura em pincel. No caso do Murakumo, ainda há um probleminha: a embarcação conta com uma intrincada rede de trilhos por toda a embarcação que demandaram pintura sendo feita com pincel fino e muita calma. Dessa maneira, pude avaliar tanto o comportamento da tinta em áreas grandes e sua precisão para áreas pequenas. Em ambas, as Lifecolor não decepcionaram.

Conclusão

Nota(kit): 9,07

Excelente kit da Pit Road para modelistas com alguma experiência. Encaixes podiam ser mais sólidos em algumas áreas como o setor da chaminé, mas nada de outro mundo. Há pouco uso de massa de correção. Kit muito versátil. Em suma: recomendo e montaria outro se tivesse a oportunidade(para montar ou o Natsugumo ou o Minegumo dotado do drone DASH).

Nota(tinta): 9,06

As tintas Lifecolor tinham sido muito recomendadas pelo amigo Lucas Rizzi do Spruemaster e outros canais no youtube tinham feito reviews com avaliações muito positivas. Portanto, não esperava menos delas(e me dei bem em minha aposta). Recomendadas, caso não ache a solução que deseja em outras marcas como as AK e Hatakas.


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About the Author

Engenheiro de computação formado na UFES e com diversos cursos na área de redes e tráfego de dados, absolutamente louco por carros, aviões, trens, tanques, caminhões, história e estratégia. É o braço técnico da UdK.



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