Técnicas weathering

Published on maio 4th, 2017 | by ES1

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Solventes, vernizes e weathering: o que eu devo saber?

O termo weathering tem como tradução “intemperismo”. Ou seja: é o desgaste pelo qual um objeto passa ao longo do tempo devido à ação humana e do clima.

Nada é mais natural, portanto, que um modelista queira replicar um envelhecimento em uma miniatura a fim de dar o máximo de realismo para a mesma, espelhando-se em modelos reais. Com o influxo constante de materiais de marcas renomadas como AK(não nos esquecendo da Ammo, Vallejo, Tamiya e afins…), muitos entusiastas têm comprado materiais de envelhecimento, os quais até então eram praticamente desconhecidos e inacessíveis à massa de montadores.

Com isso, entretanto, é natural que surjam dúvidas(eu mesmo recebo várias por email, facebook e whatsapp). Então acho por bem criar uma matéria que mostre todos os detalhes e pequenos pulos do gato que a maioria dos modelistas precisa saber. Até porque, com opções vastíssimas, nem sempre você acaba precisando ter todos os produtos de determinada marca. Essa é a primeira de duas matérias abordando esse tema, focando os inciantes no envelhecimento de kits, ferreo, die-cast e dioramas.

Vernizes: aquilo que você usa para isolar ou para finalizar

Os vernizes servem para selar as pinturas e efeitos, tanto das próximas camadas de cores, quanto das de desgastes; além de isolar o resultado final do ambiente e dar acabamento. Dito isso, é importante saber duas coisas sobre o verniz que você pretende usar: qual o acabamento e qual a natureza química dele?

Vernizes podem ser brilhantes, acetinados ou foscos. Isso depende da forma com que a cobertura do verniz se comporta na superfície: quando vemos algo com o aspecto espelhado, na verdade temos uma superfície bem plana que rebate a luz de maneira ordenada(o que gera o brilho e o reflexo, comum em superfícies de carros). No caso de uma superfície fosqueada, não há uma reflexão ordenada da luz(sem reflexos, como em veículos militares).

Clássico: uma explicação gráfica de como é a reflexão causada por superfícies lisas(esq.) e ásperas(dir.). Com o verniz apropriado, podemos alterar não só o aspecto do modelo, como criamos uma superfície apropriada para weatherings diferentes

Sobre a parte química, isso é especialmente importante para os modelistas, pois conforme muitos sabem, os vernizes servem para isolar as camadas precedentes de pintura e weathering, das demais que virão. Assim como tintas, os vernizes são compostos por um soluto e um solvente: o soluto é uma resina que vai servir efetivamente para “blindar” a superfície e o solvente é um meio que dispersa o soluto ao mesmo tempo que lhe dá viscosidade e fluidez necessárias para a aplicação, evaporando em contato com o ar ou com algum aditivo.

Da direita para a esquerda, os vernizes com acabamento cada vez mais brilhante, ou que fazem a superfície ficar mais lisa. A textura afetará como o weathering irá se portar.

A química da coisa…

Assim como vernizes, as tintas e muitos weatherings podem usar solventes/dispersantes com a mesma natureza(acrílico, vinílico, esmalte, thinner automotivo, etc…). O segredo na pintura e no weathering é nunca usar um verniz com a mesma natureza do desgaste que você aplicará em cima. Por quê?

Muito simples: o solvente do seu material de desgaste(pode ser um wash, um pigmento diluído, um deposit…) pode “reativar” o verniz, comprometendo a capa que deveria proteger a pintura. Se a tinta não estiver suficientemente aderida à superfície ou(pior) tiver a mesma natureza do verniz(e, nesse exemplo, do intemperismo), ela pode ser atacada e danificada. Então a nossa regra de ouro é

Sempre use um verniz de natureza distinta daquela do produto de envelhecimento que for usar.

Ou seja: se meu verniz é acrílico, então meu weathering não pode ser acrílico e vice-versa. Note que os próprios fabricantes fazem isso: Vallejo, Ammo e AK têm tintas e vernizes acrílicos, mas toda a linha de desgaste deles é enamel. Assim, como a Humbrol fez uma linha de pigmentos(powders) solúveis em água e solvente de decalque. Independentemente do caso, weathering e vernizes não “conversam entre si” e, por isso, não afetam as camadas prévias de seu trabalho.

Entendidos os conceitos apresentados até o momento, vamos para a parte mais prática. Agora explanarei um pouco as diferentes fases de acabamento de um kit comum.

Trabalhando em camadas…

O trabalho de envelhecimento funciona em estágios, comumente chamados de camadas(ou layers se estiver lendo num site estrangeiro). Cada uma dessas etapas é isolada da anterior através de um verniz que servirá de base para a próxima. Esquematicamente, temos isso aqui:

 

Entender o uso de camadas e o uso de verniz quimicamente incompatível com os efeitos é fundamental para que possamos alcançar os melhores efeitos possíveis em nossas miniaturas. Para saber mais, vamos esmiuçar as técnicas na prática no próximo post dessa série.


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About the Author

Engenheiro de computação formado na UFES e com diversos cursos na área de redes e tráfego de dados, absolutamente louco por carros, aviões, trens, tanques, caminhões, história e estratégia. É o braço técnico da UdK.



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